sexta-feira, 13 de abril de 2012

Altamiro Borges: A mídia nativa e o golpe na Venezuela



“O que ocorreu na Venezuela não foi um simples golpe de Estado que tirou do poder o coronel Hugo Chávez Frias. Foi – assim como ocorreu no Brasil em 1964 – uma reação cívica a um governo que, eleito em pleito livre, se esmerou, uma vez no poder, em eliminar progressivamente todo e qualquer vestígio daquilo que se poderia chamar de institucionalidade democrática”. Editorial do jornal O Estado de S. Paulo de 13 de abril de 2002.

Por Altamiro Borges, em seu blog

O livro A Venezuela que se inventa, do jornalista Gilberto Maringoni, descreve em detalhes como se deu o golpe na Venezuela em 11 de abril de 2002 – que completa hoje dez anos. Mostra como ele foi orquestrado nos bastidores pela elite burguesa racista do país vizinho, enraivecida com as propostas de reformas democráticas e populares do presidente eleito no final de 1998.

As tramas da conspiração midiática

Ele revela também o envolvimento direto do governo dos EUA, seu apoio imediato ao golpe. Num dos trechos mais emocionantes, Maringoni descreve a revolta popular, com os milhares de venezuelanos descendo dos morros e forçando a fuga, vergonhosa, de ricaços e madames do Palácio Miraflores. O povo derrotou os golpistas, um fato inédito na história recente do nosso continente.

O livro reforça a tese de que houve um “golpe midiático” em abril de 2002. Os principais monopólios de comunicação ajudaram a criar o clima para a conspiração. Várias reuniões dos golpistas civis e militares foram feitas em suas sedes. O próprio Hugo Chávez reconheceu, posteriormente, que havia subestimado o poder desestabilizador e golpista dos impérios midiáticos.

A festa no Jornal Nacional

O jornalista e blogueiro Renato Rovai, no livro Midiático Poder, também conclui que os meios de comunicação foram decisivos na orquestração do golpe de abril e do locaute patronal ocorrido entre dezembro de 2002 e janeiro de 2003. Os dados apresentados em sua pesquisa são impressionantes, revoltantes. Confirmam a urgência do debate sobre a democratização da comunicação.

Mas não foi só a mídia venezuelana que atentou contra a democracia. No mundo todo, os veículos monopolizados deram apoio ao truculento golpe. Num dos capítulos, Rovai descreve “como parte da mídia comercial do Brasil viu o golpe midiático-militar na Venezuela”. Ele registra a alegria dos âncoras do Jornal Nacional da TV Globo ao noticiarem a derrubada de Hugo Chávez e relata:

Jabor, Veja e as bananas

“Mas o momento mais espalhafatoso e hilariante do Jornal Nacional ainda estava por vir. O suposto comentarista Arnaldo Jabor, segurando uma banana, deleitava-se:

“Eu dizia que a America Latina estava se ‘rebananizando’, com o Hugo Chávez no seu delírio fidelista... Mas aí, hoje, Chávez caiu... Acho boa notícia a queda do Chávez. Acordamos mais fortes hoje e eu já posso ‘desbananizar’ a América Latina. Para termos respeito na América e no mundo, temos de ser democráticos. Tendo moral para dizer não”.

Extrair as lições do golpe midiático

Rovai também cita a revista Veja, que deu um tiro no pé. Ela chegou às bancas, comemorando “a queda do presidente fanfarrão”, quando o povo já lotava as ruas para derrotar os golpistas. Na mesma linha, a revista Época, das Organizações Globo, noticiou que “Chávez foi derrubado depois que a população esgotou todas as reservas de paciência com o que julgava errado no governo”.

Ao comemorar os dez anos da derrota dos golpistas da Venezuela, vale a pena estudar o papel nefasto da mídia para extrair lições sobre os mecanismos de aperfeiçoamento da democracia no continente. Isto vale também para a presidente Dilma Rousseff!


Portal Vermelho

Diferentes polos se unem contra a desindustrialização


No dia 12 de abril, representantes do movimento sindical, empresariado, legislativo, entre outros setores da sociedade, participaram de um ato na Assembleia Legislativa em defesa da produção e do emprego e contra a desindustrialização do país. O presidente do Sinpro Minas e da CTB Minas foi um dos palestrantes no evento. O objetivo do Ciclo de Debates é mobilizar a sociedade para a defesa da indústria, da geração de riquezas e da criação de empregos no Brasil. O ciclo é parte das ações do movimento “Grito de Alerta”, que discute o processo de desindustrialização nacional.




"Se não tivermos a audácia de lutar pelos interesses nacionais, não serão os estrangeiros que farão isso. Estamos diante de uma guerra. Para vencermos, e assim fortalecermos a indústria mineira e nacional, precisamos nos unir”, observou o deputado Celinho do Sintttrocel (PCdoB), que coordenou os trabalhos no Ciclo de Debates Em Defesa da Produção e do Emprego - Contra a Desindustrialização, realizado nesta quinta-feira (12/4/12) na Assembleia Legislativa de Minas Gerais. O deputado, autor do requerimento do ciclo de debates, destacou a importância da presença de diferentes atores interessados na discussão – trabalhadores, lideranças empresariais e sindicais e estudantes, que lotaram o Plenário, bem como suas galerias, a fim de participar da discussão.



Gustavo Persichini, superintendente geral da Associação Mineira de Municípios (AMM), destacou que a entidade apoia a luta pela fortalecimento da indústria brasileira e pela geração de emprego, mas ressaltou que as propostas sobre desoneração de impostos precisavam ser discutidas com bastante prudência. “Algumas dessas ações têm impacto direto nos municípios, pois recaem nas costas dos gestores municipais, impactam diretamente em suas contas”, disse. Persichini pontuou que a AMM tem sido parceira de várias das entidades presentes no ciclo de debates e que usará a capilaridade da instituição para levar essas questões até prefeitos e legisladores municipais.


Ao responder à pergunta de um trabalhador, Aguinaldo Diniz, presidente da Associação Brasileira da Indústria Têxtil, ressaltou que produção e importação são elementos importantes na economia de todo o País, mas que é preciso haver um equilíbrio entre esses dois polos. “O que está acontecendo no País, hoje, é um desequilíbrio entre produção e importação. Precisamos, juntos, gerar emprego e riqueza para o Brasil e para os brasileiros, e isso não é xenofobia. O que nosso trabalhador precisa é de renda, de uma indústria forte e de emprego de qualidade, para que o País cresça com justiça e paz social”, afirmou.

Representando a União Nacional dos Estudantes (UNE), Rafael Leal também destacou a importância do evento que a ALMG abrigava. “É preciso, no entanto, fazer com que essas discussões cheguem à sociedade. A luta contra a desindustrialização é a luta pela soberania nacional e contra o capital estrangeiro, e ela expõe uma antiga contradição brasileira: Brasil - colônia ou potência? Podemos ser uma grande potência, mas por interesses estrangeiros nunca conseguimos ser”, observou. Rafael Leal adiantou que a UNE está comprometida com a questão e também promoverá um ciclo de debates sobre o tema para levar a discussão para dentro das universidades.


O subsecretário de Estado de Indústria, Comércio e Serviços, Marco Antônio Rodrigues da Cunha, informou que Minas Gerais desponta hoje no cenário nacional com uma das mais baixas taxas de desemprego do País – em torno de 4,9%. “Geramos 300 mil empregos anuais, mas não estamos satisfeitos, porque precisamos investir em emprego de qualidade, e para isso é preciso qualificar os trabalhadores e, depois, remunerá-las à altura. Trata-se de uma questão que envolve vários entes”, declarou. Esse desafio, explicou o subsecretário, está sendo enfrentado com o apoio de diversas entidades, entre a quais se destaca o Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai), da Federação das Indústrias de Minas Gerais (Fiemg). “O governador Anastasia tem destacado que a indústria é o elo principal de toda uma cadeia de geração de emprego e riquezas”, completou.


“Este é um momento de diálogo maduro entre capital e trabalho”, declarou Gilson Reis, presidente da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB). “Espero que o primeiro passo dado hoje, neste encontro, não se encerre aqui. Que consigamos avançar na busca de alternativas para se solucionar o problema”, finalizou.

Fonte: Portal da ALMG

Minas enfrenta perda de competitividade da indústria

Debate sobre indústria chegará ao Congresso, diz presidente Dinis Pinheiro
















quarta-feira, 11 de abril de 2012

Cebola nos olhos e palavras entaladas na garganta



Nesta segunda-feira (9), Liniane Haag Brum lançou o livro Antes do passado – O silêncio que vem do Araguaia, uma espécie de biografia póstuma, documental e romanceada do seu padrinho e tio, Cilon Cunha Brum, desaparecido na guerrilha do Araguaia. Em uma cena do livro, a sua avó chora, diz que é por causa da cebola e a neta conclui: “Depois desse dia soube que o medo, o silêncio e o tio eram como se fosse o mesmo.”

Por Christiane Marcondes, da redação do Vermelho

Em 1981, Eloah Cunha Brum, acuada pelo medo e o sofrimento, começou a implorar por notícias do seu filho, Cilon, jovem líder comunista desaparecido no Araguaia em 1971. Escreveu uma carta às autoridades responsáveis: “Venho por meio desta, como mãe aflita, solicitar informações sobre o destino do meu filho Cilon Cunha Brum”.

Relatou com poucas palavras e desaforada honestidade tudo o que sabia -- inclusive o codinome Simão --e o que queria:

“Rogo, pois, em última instância, que me forneça informações precisas que possam matar a aflição que vivo há dez anos, o que para uma mãe representa uma eternidade”.

A carta não teve resposta, não naquela época, não enquanto Eloah viveu. até 1989, como uma “mãe” para sempre desassossegada que nunca deixou de esperar pelo filho desaparecido: “Sua cadeira amarela na porta da casa – o corpo ali encaixado, a bengala ao lado. A mãe de Cilon, minha avó Lóia, com a atenção sempre na rua: uma imagem que falava e que todo mundo sabia o que queria dizer”.

Este é um trecho do livro Antes do passado – o silêncio que vem do Araguaia, da neta de Eloah, Liniane Haag Brum. Na obra, a editora e roteirista da TV Cultura finalmente consegue responder postumamente às questões da avó, dirigindo-lhe não uma, mas muitas e longas cartas em que relata sua peregrinação por vários locais e pelo Araguaia em busca da memória e do corpo do tio.

A empreitada da autora, estreante nas letras, assemelha-se a uma odisseia digna de Homero, não só pela coragem que exigiu como pelo lirismo da narrativa. O livro atende também a uma angústia de infância. Liniane foi batizada em 1971 pelo tio Cilon, em sua última aparição pública. A afilhada cresceu, mas nunca se acostumou à ausência do padrinho nos momentos de reunião familiar, como Páscoa ou Natal, e incorporou a dor da família e a crença da amada avó: “Cilon voltará um dia”.

Realmente "voltou" nas páginas escritas com tensa sensibilidade pela afilhada, que Cilon nunca conheceu; já a menina, ah, essa não só “conheceu” o tio, como conversou com ele na imaginação e reconstituiu seus últimos momentos entrevistando pessoas que participaram do seu passado. Em São Paulo, o então estudante Cilon conheceu Rioco, a “baixinha”, que se tornaria, depois de sair da prisão, onde foi parar em 1972, esposa de José Genoíno, que também viveu como lavrador no Araguaia, dividindo a mesma casa com João Amazonas.

Rioco estudava Letras na USP, Cilon, Economia na PUC, onde era líder estudantil. Rioco achava engraçado o sotaque do colega de movimento, gaúcho. Repetiu na entrevista para o livro algumas frases que ele soltava na Padaria Sagres, na Vila Mariana, onde se encontravam para falar de política: “Me dá um pingado e um pão com manteiga”. E Rioco sorria, segundo Liniane, não só ao rememorar palavras, mas também as roupas diferentes. “Ele andava todo arrumadinho, as camisas alinhadas e bem passadas. Muito diferente do pessoal da política estudantil e da militância”.

Liniane explica a elegância do padrinho, contando que ele trabalhava em uma agência publicitária e ganhava muito bem, largou tudo pela luta na qual empenhou a própria vida. Um agente do DOPS foi investigá-lo, tempos depois, no antigo emprego e ficou chocado com sua ficha funcional: “Esse rapaz ganha cinco vezes o meu salário e está metido com a esquerda?”

O “rapaz” que surpreendeu o policial também surpreendeu a família quando Liniane e o pai, Lino, fizeram uma de muitas incursões ao Araguaia: “Fui com minha filha ao Araguaia colher material para o livro e percebemos o carinho que a população de lá tem até hoje pelo Cilon, passados 40 anos eles se lembram”, diz Lino Brum Filho.

Zezinho do Araguaia, integrante do PCdoB há 50 anos, conviveu com os comunistas no Araguaia, levando e retirando gente da mata, como Ângelo Arroyo. Zezinho confirma o carisma do “comprido”, outro apelido de Cilon: “Comprido foi um dos companheiros que fez amizade não só com o povo, mas com os militares. Quando ele saiu pela última vez e não voltou, todo mundo sentiu. Teve quem sofreu por tentar ajudá-lo, como a Lia, que levou frutas para ele”, recorda, citando um nome ou codinome entre dezenas que fervilham na sua memória muito viva da guerrilha no Araguaia.

A guerrilha foi exterminado pela ditadura há quase quarenta anos, mas Zezinho diz que o terror ainda domina os habitantes da região. A repressão continua sua ronda, afirma, inclusive com ajuda dos missionários estadunidenses que vivem entre os índios, julgando-os um povo de “feiticeiros” que precisa da salvação, indigna-se Zezinho.

Liniane compartilha da mesma opinião que o comunista, o livro deixa claro que o medo ainda paira nas matas que abrigam insepultos não só comunistas desaparecidos, mas muitos camponeses e moradores igualmente capturados pelos militares. A ameaça chega ao ponto de a escritora inventar os nomes de alguns personagens para proteger a verdadeira identidade.

Mentiras indignas

Em 1996, a família recebeu do governo uma certidão de óbito de Cilon. Pouco depois veio a informação de que ele havia morrido em combate em 1973. Lino revolta-se: “Sabemos que é uma mentira dos relatórios das forças repressoras. No Natal de 1973, Cilon foi preso e depois executado. Seu corpo não foi enterrado, mas se degradou na mata”.

Em busca da verdade, Liniane refez todos os percursos do tio, descobrindo, inclusive, a árvore sob a qual os militares o executaram. O grande enigma foi solucionado, mas a ausência do corpo e o bloqueio emocional entre os familiares são insuperáveis. Um livro como esse, que apresenta a história sob um ponto de vista além do político, discorrendo sobre os danos à sociedade e as perdas afetivas irreparáveis, pode ser um bom começo para fazer justiça por quem lutou e morreu pela pátria livre: “Liniane conseguiu de certa forma trazer a memória do tio à vida, ela precisava disso e a família também”, supõe Rioco.

O pai da autora concorda e acrescenta: “Esse livro é um resgate familiar, mas, ao mesmo tempo e acima de tudo, é a história recente deste país, a história que teimam em não nos contar. Temos que cobrar a verdade dos fatos, esse é um compromisso nosso com gerações futuras, netos e bisnetos. Eles precisam conhecer essa parte obscura da história para poderem, ainda que simbolicamente, enterrar seus mortos e desaparecidos”.


Portal Vermelho

Trabalhadores sem-teto reivindicam redução de juros na compra de material de construção



Manifestantes do Movimento dos Sem Teto do Ipiranga (MSTI) se reunem nesta terça-feira (10) em frente ao Banco Central para reivindicar a redução dos juros cobrados na compra financiada de material de construção e acesso à moradia. Os manifestantes esperam ser recebidos pelo presidente do BC, Alexandre Tombini.

Segundo um dos coordenadores do movimento, Maksuel José Costa, uma carta solicitando a audiência foi entregue ao BC no último dia 22 de março.

Segundo Costa, 600 pessoas saíram de São Paulo, em 13 ônibus, para participar do ato em Brasília. “Se a gente ficar em São Paulo, de braços cruzados, ninguém vai ver a gente. Tudo no Brasil foi conquistado com mobilização”, disse Costa.

Segundo a assessoria da instituição, os manifestantes serão recebidos pelo secretário executivo do BC, Luiz Edson Feltrim.

Portal CTB com informações da Agência Brasil

terça-feira, 10 de abril de 2012

Renato Rovai: Juro, a maior cartada de Dilma Roussef



Consta que na transição de governo em 2010 Lula teria feito poucas sugestões de nomes para o ministério de Dilma. Ao contrário do que se pensa, preferia ouvir as ideias da atual presidente e a partir daí dar seus pitacos. O que não quer dizer que Lula não tenha sido um ator importante de muitas nomeações. E o que não quer dizer que em alguns casos ele não tenha praticamente vetado nomes.

Por Renato Rovai*

Mas numa área Lula insistiu para que Dilma tomasse muito cuidado, deixando claro que preferia que ela não mudasse os titulares. No ministério da Fazenda e na presidência do Banco Central. Lula achava que a dupla Mantega e Henrique Meirelles garantiam o equilíbrio necessário à equipe econômica.

Mas neste caso, Dilma teria batido o pé, afirmando que considerava necessário ousar um pouco mais para baixar a taxa de juro. E que sabia que com Meirelles à frente do BC isso seria impossível. Seu nome para o cargo era o de Alexandre Tombini.

Lula sentiu que Dilma estava convencida da operação e silenciou. Não sem deixar claro que faria diferente.

Quando em setembro do ano passado, o BC de Tombini anunciou o corte de 0,5% na taxa Selic houve uma grita impressionante contra a decisão. A turma que fala pelo mercado financeiro na mídia não teve a menor desfaçatez para desancá-lo e dizer que a medida era de alto risco e faria o país voltar ao ciclo inflacionário.

O Estadão, por exemplo, produziu um editorial que merece ser relido, cujo título era “O BC cede à pressão”.

E que terminava com a seguinte frase: “Ao dobrar a espinha do BC, a presidente Dilma Rousseff rejeitou uma das poucas heranças benditas da era Lula – a autonomia de fato da autoridade monetária, que o ex-presidente fez questão de prestigiar mesmo às vésperas de eleições importantes para seus projetos de permanência do PT no poder.”

Agora Dilma negociou com os bancos públicos a redução dos juros diretos ao consumidor. E cá pra nós, deve ter tido muito trabalho para convencer os “técnicos” desses bancos públicos de que isso precisava ser feito. E que eles teriam que fazer ou fazer…

E a grita voltou. Agora, a história é de que Dilma está pondo em risco o sistema financeiro nacional.

A verdade é que essa é a operação mais arriscada do seu governo. Ela está mexendo num vespeiro terrível. Se conseguir vencer essa parada, terá pavimentado o terreno para poder realizar um mandato em outro nível.

Dilma já conseguiu dar um chega para lá numa parte ultra-fisiológica da Câmara e do Senado, o que não quer dizer que ainda não precise deles. E que não esteja negociando com os tais. Mas do jeito que procedeu mostrou que não tem medo de cara feia.

E agora, está tentando enquadrar o sistema financeiro privado. O que não quer dizer que esteja disposta a estatizá-lo, por exemplo.

Esses seus movimentos, a despeito das críticas que tenho feito aqui a muitos setores do governo, mostram uma coragem diferenciada da presidenta. E merecem atenção.

*Renato Rovai é jornalista.


Fonte: Blog do Rovai