domingo, 23 de maio de 2010

Educação em Minas é tema de Seminário em BH


Os problemas do sistema educacional em Minas Gerais foram debatidos no Seminário: “A Educação que queremos”, promovido pela Fundação Maurício Grabois, nessa sexta-feira (21), no auditório do Hotel Bristol, no centro da capital. Cerca de 100 pessoas participaram do evento, que contou com a presença da deputada federal, Jô Moraes (PCdoB –MG) e do presidente da CTB (Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil) em Minas, Gilson Reis.

O sucateamento da educação no Estado e a desvalorização dos servidores foram os temas centrais do seminário. Para a deputada federal, Jô Moraes, a educação deve ser encarada como fundamental para o desenvolvimento social do país. A parlamentar lembrou a necessidade da escolha de candidatos comprometidos com a continuidade do projeto político iniciado há 8 anos pelo governo Lula, tanto para o executivo, quanto para o legislativo . Jô Moraes ainda criticou a tentativa do atual governo de Minas de ilegalizar a paralisação dos professores da rede estadual, em greve há mais de 40 dias.

O também professor e presidente da CTB Minas, Gilson Reis, falou sobre como o governo estadual vem maquiando a realidade do sistema educacional em Minas através dos altos investimentos publicitários. “A propaganda disseminada pelo atual governo não condiz com a verdade sobre a educação no Estado”, afirmou Gilson Reis, baseando-se em dados do Enem, onde a escola mineira com melhor colocação aparece apenas a partir da segunda milésima posição no programa. O presidente da CTB lembrou ainda que enquanto o governo federal criou mais de dez novas universidades federias, o governo estadual fechou escolas. Gilson Reis também criticou a forma como a prefeitura de Belo Horizonte vem implantando o programa escola plural, em que estabelece metas de disputa e responsabilização unicamente do professor, na avaliação da qualidade da educação, e a mercantilização da educação nas escolas privadas.


Por Movimento Comunicação

quinta-feira, 20 de maio de 2010

“Professor” Anastásia não recebe sindicalistas e greve continua


A greve dos professores da rede estadual de ensino iniciada no dia 8 de abril será mantida por tempo indeterminado. Essa foi a decisão das centenas de servidores que lotaram mais uma assembléia da greve.

O governador Antonio Augusto Anastásia (PSDB) declarou que não se reunirá com os representantes dos trabalhadores e que uma comissão designada por ele irá enviar uma proposta escrita para o sindicato da categoria.

Como presidente do sindicato dos professores Sinpro-MG acredito que a luta pela implementação do piso nacional do professor é uma conquista histórica e deve ser respeitada pelos governos estaduais. O governador Anastásia peca em duas coisas. A primeira é o desrespeito pelas lutas do povo e pelas instituições republicanas, o piso é uma lei sancionada, não é agitação. A segunda é pela falta de sensibilidade que demonstra esse governo que sequer reúne com os sindicalistas. Isso nos mostra o que é o governo tucano de Aécio/Anastásia e a quem esse governo serve. Precisamos imediatamente colocar no executivo e no legislativo pessoas comprometidas com esse instrumento fundamental para a educação que é o professor. Esse greve é vitoriosa, justa e necessária.

Os trabalhadores da educação voltam a se reunir em assembléia no dia 25 de maio, no pátio da Assembléia Legislativa.

Dilma sobe nas pesquisas


De maneira muito tímida a mídia brasileira se viu obrigada a noticiar o fato. Dilma Rousseff a candidata da continuidade do projeto de Lula está liderando as pesquisas eleitorais no Brasil.

Além de estar pontos a frente do candidato de oposição, o ex-ministro de FHC, José Serra a ministra ainda conta com uma particularidade a seu favor. Quase 20% da população diz em pesquisas espontâneas que votaria no candidato do Lula, ou seja, ainda existe milhares de brasileiros que não conhecem a candidata do presidente.

Para Gilson Reis, presidente da CTB mineira as pesquisas revelam o sentimento do povo brasileiro de que o projeto democrático e popular iniciado por Lula deve ser mantido. “Nestas eleições vamos comparar os perversos oito anos de FHC/PSDB e os oito anos de avanços construídos por Lula e por seu projeto, acredito que a ex-ministra irá subir ainda mais nas pesquisas, pois o Brasil passa por um momento extraordinário de sua política, isso vai refletir positivamente para a candidata do governo”apontou

30 anos da greve do ABC


11 de Maio de 1980 o Brasil ainda vivia sob as baionetas dos generais, porem a região do ABC paulista soprava vetos de mudança e protesto.

Naquele ano o movimento de operários e metalúrgicos do ABC realizou o maior ato de provocação ao regime militar, abrindo ao país a possibilidade do protesto, já tão esquecido e reprimido entre os brasileiros.

Para Gilson Reis, presidente da CTB mineira a greve de 80 foi o inicio de um ciclo político que culminou com a subida das forças progressistas ao governo central do país. “Ali foi o começo do fim do regime militar. A greve foi um movimento político vitorioso que uniu a categoria de uma maneira impressionante por 41 dias e lançou ao Brasil a maior liderança popular de sua história, o metalúrgico Lula. Nossa história política passa por essa greve” aponta o sindicalista.

quinta-feira, 8 de abril de 2010

La neves vá


Em 1983 Frederico Fellini lançava a mais importante obra cinematográfica da sua pródiga e bem sucedida carreira: La Nave Va.

O filme retrata o cenário fúnebre do início da primeira guerra mundial. Fellini reúne em um navio personagens bizarros e membros da alta elite italiana para uma viagem surreal. O funeral de uma cantora lírica é interrompido em pleno oceano para que o capitão da embarcação resgate uma comunidade sérvia que fugia da guerra. Os sérvios, cidadãos de segunda categoria, são jogados no porão do navio e assim a trama se desenvolve.

Na transferência de cargo do governador Aécio Neves para o seu vice, Antônio Anastasia, os arredores do Palácio da Liberdade pareciam a embarcação do filme de Fellini. Nas dependências do Palácio, encontrava-se a fina flor da corte mineira. Estavam lá embarcados cinco governadores mineiros: Francelino Pereira, Itamar Franco e Eduardo Azeredo, Aécio Neves e Antonio Anastasia. Os artistas globais Luciano Huck, Cristiane Torloni, Maitê Proença e até o galinho de Quintino, o jogador Zico. A duzentos metros de distância, populares espremidos na cerca de proteção observavam o cortejo da nobreza. De sorrisos ocos, lá estavam os pobres e desavisados mineiros a servir de sérvios para a fúnebre festa da elite mineira.

A posse do novo governador encerra um período de sete anos e três meses de profunda unidade das elites mineiras. Uma unidade construída em torno do governador tucano Aécio Neves e do seu ambicioso projeto presidencial. A tradicional política mineira, que ainda persiste nas várias regiões do estado, sempre foi marcada pela divisão entre dois blocos antagônicos vinculados à elite: os conservadores e os liberais. O primeiro grupo de concepção conservadora, rural, ligado inicialmente às fileiras da UDN e suas congêneres ao longo da história. Já o segundo grupo, de viés liberal, urbano, nasceu e consolidou-se com a urbanização do estado de Minas. Essa corrente política iniciou sua trajetória a partir do PSD. Esse grupo político também foi mudando de siglas, mas sempre mantendo suas raízes teóricas liberais. A aspiração das elites mineiras em retornar o comando da Presidência da República possibilitou esta inédita unidade.

Consolidada a fusão de conservadores e liberais, a segunda medida do Palácio da Liberdade foi dividir o setor oposicionista. Primeiro, aproximou-se de forma habilidosa do presidente Lula, utilizando-se de recursos federais para projetar as políticas públicas em Minas Gerais. No campo político, manteve permanente diálogo com o Palácio da Alvorada, permitindo ao não menos hábil presidente Lula usar e abusar da aproximação com o governador mineiro, chegando ao limite de construir em 2006 o Lulécio, em oposição ao candidato tucano Geraldo Alckmin.

No Estado não foi diferente. O governador Aécio Neves administrou com ampla maioria na Assembléia Legislativa, chegando a atrair em vários momentos a base parlamentar vinculada ao Partido dos Trabalhadores para votações de emendas constitucionais e projetos de interesse do governo. O PMDB dividido e sem grandes lideranças foi uma presa fácil para o Palácio da Liberdade. Porém, foi na eleição municipal da capital mineira que Aécio Neves demonstrou todo o seu conhecimento, adquirido através da convivência com o avô Tancredo Neves: a arte de manter-se neutro sem sê-lo. No processo sucessório de Belo Horizonte, lançou um candidato pelo PSB, dividiu o PT através de um acordo com o então prefeito Pimentel e conquistou depois de dezesseis anos a prefeitura da capital mineira.

No campo da economia, Aécio e Anastasia desenvolveram e consolidaram o choque de gestão. Trata-se do projeto neoliberal, que é a marca do governo de Minas, mesmo com a falência do neoliberalismo em escala mundial, principalmente a partir da crise internacional do ano passado. No entanto, o choque de gestão cantado em verso e prosa pelos quatro cantos de Minas não passa de uma gestão fiscal do estado que beneficia amplamente o setor privado, em detrimento do setor público. Minas Gerais foi, ao longo dos últimos anos, um laboratório de destruição das políticas públicas, a exemplo da saúde, educação, segurança e previdência, entre outras. Nos sete anos e três meses de governo, milhões de reais foram retirados das políticas públicas e repassados para a iniciativa privada, seja através da isenção fiscal, seja por meio de obras faraônicas, a exemplo do Centro Administrativo, que custou aos cofres do estado dois bilhões de reais. A inversão de prioridades e o endividamento do estado, a destruição do Ipsemg, a focalização da educação, a centralização da saúde e o aumento da criminalidade são apenas alguns dos resultados da fracassada política econômica.

No âmbito das relações de trabalho, a atitude foi ainda mais perversa. Durante todo o governo, a relação com os servidores foi amplamente desrespeitosa. A permanente precarização nas relações de trabalho em todas as áreas do estado culminou com a prática criminosa da terceirização realizada pela MGS.

A empresa foi criada pelo estado para contratar trabalhadores de forma precária, com o objetivo de diminuir o custeio da máquina e conseqüentemente a qualidade do serviço público. A ausência de concursos públicos para ingresso na carreira de estado, o achatamento salarial, a emenda 100, que criou uma distorção inconstitucional na carreira pública, a negativa do governo em aplicar o piso nacional dos trabalhadores em educação são apenas alguns dos exemplos da política desenvolvida pelo governo Aécio/Anastasia.

Para cumprir essa plataforma política, o governo mineiro praticou duas estratégias complementares. A primeira e mais refinada foi a cooptação dos movimentos sociais e sindicais. Ao longo de todo o período, dirigentes sindicais e sociais passaram a cooperar com o governo, abdicando das bandeiras históricas pela qualidade dos serviços públicos, controlando a mobilização e a luta dos trabalhadores. A segunda estratégia foi criminalizar os movimentos sociais e sindicais que lutavam e enfrentavam a política neoliberal e o choque de gestão do Palácio da Liberdade. O resultado foi uma permanente ação de repressão das forças policiais contra os trabalhadores urbanos e rurais.

Na área da comunicação e informação, o governo Aécio/Anastasia construiu um “bunker” jamais visto em toda a história política de Minas. O governo, a partir de um núcleo operacional de comunicação, constituído no Palácio da Liberdade e coordenado pela sua irmã Andréa Neves, controlou ao longo dos anos todos os meios de comunicação de Minas, do maior jornal à menor rádio e jornal do interior do estado. O controle da mídia foi cotidiano e permanente. Alguns jornalistas que tentaram romper o cerco do governador foram imediatamente punidos, demitidos ou mesmo “varridos” dos meios de comunicação do estado. Ao longo de sete anos, a população de Minas Gerais foi impedida de ser informada, a máxima da comunicação fascista foi expressão de um tempo com profunda ditadura midiática. O que importa ao governo Aécio/Anastasia é a propaganda oficial, com gastos extraordinários, para utilizar a mesma prática fascista de Hitler, pela qual “uma mentira contada mil vezes se transforma em verdade”.

Todavia, o que se sobressai com mais evidencia nesses sete anos e três meses de governo é o projeto de desenvolvimento proposto pela dupla Aécio/Anastasia. A verdadeira situação das condições políticas e econômicas veio à tona no período da crise internacional, ocorrida no ano de 2009. Minas Gerais, mesmo ocupando o segundo PIB do país, é o décimo terceiro em distribuição de renda. Mais de sessenta por cento da população recebe até um salário mínimo. O estado, apesar de rico, é um dos maiores concentradores de renda e riqueza do país. Em Minas Gerais, dos dez principais produtos de exportação, nove estão relacionados a produtos primários: agrícolas ou minerais. A única exceção é a exportação de veículos produzidos pelo setor automotivo, constituído no estado no final dos anos setenta. O choque de gestão neste contexto é uma farsa, não alterou um milímetro sequer as condições sociais e econômicas da população. O estado está paralisado, Minas Gerais não possui hoje um único projeto de desenvolvimento que avance na área de ciência e tecnologia.

É navegando nesse mar aparentemente tranquilo, porém revolto, que Minas e os mineiros se encontram à deriva. Para as nossas condições de povo da montanha, longe do mar, que nossa situação se torna ainda mais emblemática. Espero que a nave que trouxe o governador Aécio Neves não volte a atracar por aqui. Que Minas e os mineiros, agora livres do governo Aécio Neves, compreendam com mais clareza a farsa que foi esse período histórico, e possam refletir com mais profundidade as reais aspirações políticas, econômicas e sociais que, aliás, sempre foi a nossa maior virtude. Fellini trouxe para a ficção os dilemas de um tempo de guerra. Nós, mineiros, precisamos trazer para a realidade os dilemas de um tempo de paz, que exige avanços sociais e democráticos. La Neves Vá! E leve consigo Anastas!