sábado, 23 de maio de 2009

Pesquisa mapeia a saúde dos professores






Sinpro Minas divulga pesquisa inédita sobre condições de saúde e trabalho dos professores



O Sinpro Minas divulgou nessa terça-feira (28/4) a pesquisa inédita que mapeia as condições de saúde e trabalho dos docentes da rede privada de ensino de todo o estado. Realizada pelo sindicato, em parceria com o Ministério do Trabalho (por meio da Fundacentro), a Federação Interestadual dos Trabalhadores em Estabelecimentos de Ensino (Fitee) e Sindicato dos Auxiliares em Administração Escolar (Saae-MG), a pesquisa revelou que é elevado o percentual de professores que alegam sofrer cansaços físico e mental (92,84%).




"Há todo um processo na contemporaneidade que aumenta substancialmente o trabalho do professor e o leva a um quadro de estresse e adoecimento", denunciou Gilson Reis, presidente do Sinpro Minas, durante a coletiva de imprensa, no auditório do sindicato. Segundo ele, o cenário atual, de mercantilização da educação, traz ainda mais impactos negativos nas condições de trabalho e saúde dos docentes. "A escola privada está se transformando cada vez mais em um ambiente em que o aluno é tratado como cliente e a educação como comércio, o que tem trazido implicações na qualidade da educação", afirmou o presidente do Sinpro.




De acordo com a pesquisa, para 82,58% da categoria, a exigência de cumprimento de prazos é o principal motivo que torna o ambiente institucional ameaçador. Já a principal causa de desgaste entre os docentes encontra-se na relação direta entre aluno e professor, com 40, 25% das respostas. "Eles [os empresários da educação] preferem lotar a sala de aula a dividir as atividades entre dois professores. Sempre tem aquela pressão e opressão, tanto em nível psicológico, quanto em nível de produção", disse, durante a coletiva, a professora universitária Rose Guerra, que teve um acidente vascular cerebral em decorrência do estresse laboral.




"Trata-se de um levantamento abrangente e que vai servir de parâmetro para desenvolver ações preventivas e educativas junto à categoria. Além disso, a pesquisa é muito importante e urgente, pois o processo de adoecimento no setor educacional é cada vez maior, em decorrência da mercantilização da educação e do aumento da carga de trabalho", afirmou a diretora Maria das Graças de Oliveira, uma das pesquisadoras.




Outro dado que preocupou o sindicato diz respeito à violência no ambiente escolar: aproximadamente 41% dos professores reclamaram que já foram agredidos ou ameaçados por alunos pelo menos uma vez. "Esse dado demanda ações urgentes por parte de toda a sociedade, inclusive das autoridades públicas. Temos que coibir isso. A sala de aula não pode se tornar um local de ameaças ou agressões constantes", declara Gilson Reis, presidente do Sinpro Minas.






Ainda segundo a pesquisa, há uma associação direta entre o número de alunos em sala de aula e a possibilidade de o professor apresentar problemas de saúde, como rouquidão e dores de cabeça, e um dos maiores motivos de afastamento na categoria está relacionado a dores nas pernas.




Gênero



A pesquisa também fez um recorte de gênero e constatou um quadro pouco favorável para as mulheres. Em todo o estado, a renda pessoal média das professoras é cerca de 30% inferior à dos professores. Já na região metropolitana, esse cenário de desigualdade permanece, mas o percentual de diferença cai para aproximadamente 24%. "Podemos inferir que isso se deve ao fato de que há diferenças de salários por titulação e há mais homens que mulheres tituladas atualmente em nossa categoria. Também há o fato de que as mulheres se dividem entre a jornada doméstica e a da escola, o que faz com que, em média, tenham uma menor carga horária de aulas", avalia Maria das Graças de Oliveira, ponderando que os resultados merecem uma análise mais aprofundada, com o objetivo de tomar as medidas adequadas para mudar essa realidade.




Para o coordenador-geral da pesquisa, Celso Amorim Salim, da Fundacentro, o sindicato desempenhou um papel muito importante ao fazer esse levantamento inédito em Minas. "A pesquisa fornece uma série de dados para subsidiar ações em defesa das condições de trabalho da categoria".




A pesquisa completa será divulgada no portal do Sinpro Minas. O próximo passo será a elaboração, com a participação de especialistas de várias áreas, de dois livros, um de caráter mais qualitativo, com as declarações dos professores, e outro mais técnico-analítico, sobre o resultado da pesquisa. O Sinpro e as instituições parceiras também vão procurar as autoridades com o objetivo de atrair financiamentos para pesquisas mais aprofundadas.
Fonte: Sinpro Minas






Reforma sindical: Proposta equivocada em momento inoportuno

*Gilson Reis


A reforma da estrutura sindical brasileira percorreu nos últimos 15 meses uma longa trajetória de debates. No entanto, desde o anúncio da criação do FNT (Fórum Nacional do Trabalho), as discussões ficaram circunscritas, pelo lado dos trabalhadores, a uma pequena parcela de dirigentes, mais diretamente ligados a superestrutura das centrais . Desde as etapas estaduais, passando pela constituição dos grupos de trabalho no âmbito do fórum e a conclusão e divulgação do relatório final, persistem muitas dúvidas e houve pouca participação dos trabalhadores e das entidades de base.

De toda forma, foi encerrada a primeira etapa da discussão e o Governo Federal deverá enviar ao Congresso Nacional nos próximos dias uma PEC (Proposta de Emenda Constitucional) com o objetivo de alterar o artigo 8º da Constituição, o qual estabelece as regras para a organização sindical. Em seguida, irá um conjunto de projetos de lei para regulamentar as mudanças implementadas.


Organização e representatividade


Uma mudança fundamental constante da proposição do Governo é o fim da unicidade, substituída pelo conceito de exclusividade de representação. Com isso, introduz-se a pluralidade sindical, ainda que não estritamente de acordo com a Convenção 87 da OIT (Organização Internacional do Trabalho). Essa valerá plenamente para as entidades que forem criadas ou se organizarem por ramo de atividade (ainda não definidos) após a reforma. Para as pré existentes, haverá regras diversas.


Cria-se a figura do sindicato derivado, que não precisará ter representatividade própria, desde que esteja vinculado a uma entidade de nível superior ( central, confederação ou federação). Ou seja, não se exige que tenha filiados, desde que uma central, por exemplo, tome a iniciativa de construi-lo. Por outro lado, os não-derivados que não alcançarem 20% de associados no prazo de cinco anos perderão os direitos sindicais de negociação e arrecadação. Estabelece-se a exclusividade de representação para as entidades de base preexistentes que aprovarem o estatuto democrático – a ser estabelecido posteriormente.

Após cinco anos da aprovação da lei, o CNT (Conselho Nacional do Trabalho) definirá que sindicatos são representativos, o que caracteriza ampla intervenção do poder público no movimento sindical, minando sua autonomia.

Impossível não observar ainda que a tendência à pluralidade constante do relatório do FNT vem ao encontro do projeto neoliberal, que sempre procurou pulverizar ao máximo a representação e a negociação dos trabalhadores.


Negociação e direitos trabalhistas


A partir da reforma, as centrais passam a ser reconhecidas como estrutura superior da organização sindical dos trabalhadores, o que lhes dará ampla possibilidade negocial. Com isso, a proposta avança no chamado acordo nacional, a ser firmado com o patronato pelas centrais, confederações e federações. Introduz ainda a figura do representante dos trabalhadores com pleno direito negocial no âmbito da empresa. A organização no local do trabalho, ponto importantíssimo para o movimento sindical, será encaminhada sem consenso e muito aquém do esperado devido à rejeição do empresariado. Outro descalabro é não estar prevista a estabilidade do dirigente e do delegado sindical. E ser vaga quanto à taxa negocial, não estabelecendo a compulsoriedade da cobrança de trabalhadores sindicalizados ou não.


No que diz respeito às regras para a negociação, o modelo traz sérios riscos às condições de trabalho por meio da perda de direitos. A saber:


1 – Está previsto na proposta que prevaleça o negociado sobre o legislado. Será incluído no artigo 7º da Constituição o direito à negociação coletiva como um direito trabalhista, portanto equiparado a todos os demais;

2 – O acordo nacional definirá as cláusulas que não poderão ser negociadas nas instâncias inferiores, ficando as demais sujeitas a mudanças a qualquer momento;

3 – As negociações serão nacionais, regionais, intermunicipais, municipais e por empresa, dependendo da situação específica;

4 – As empresas que por algum motivo apresentarem dificuldades de cumprir o acordo coletivo poderão renunciar à aplicação dessa norma;

5 – Exclui a negociação no setor público, que ficará à espera de regulamentação posterior, o que deixa os servidores em situação idêntica à atual: possuindo representação sindical, mas não direito negocial.


Por esses pontos, vê-se que, se na organização sindical há tendência à pluralidade, na negociação coletiva a proposta é extremamente pluralista. Contudo, o que a torna mais neoliberal é estabelecer definitivamente o negociado sobre o legislado, com a provável desregulamentação de todo o direito trabalhista conquistado ao longo de um século.


Estado a serviço de quem?


Outro aspecto importante da proposta consolidada no FNT diz respeito ao afastamento do Estado naquilo que seria de interesse do trabalhador e uma grande intervenção quando favorece ao capital. Alguns pontos nessa lógica, são bastante preocupantes:


1 – Acaba definitivamente com o poder normativo da Justiça do Trabalho no que se refere à regulamentação de direitos, dando fim portanto com o julgamento de dissídios coletivos. Uma arbitragem privada será usada para solução de conflitos de natureza trabalhista.

2 – A Justiça do Trabalho permanece e intensifica-se, contudo, para penalizar, multar e intervir nos sindicatos.

3 – Constituição definitiva das Comissões de Conciliação Prévia, negociadas no interior da empresa, sem a participação expressa do sindicato. Esta negociação tem como objetivo desonerar a justiça do trabalho quanto ao direito individual do trabalhador

4 – Grandes restrições jurídicas no direito de greve e uma plena intervenção do Estado para garantir os privilégios do capital em momentos de conflitos.

5 – Inúmeros requisitos para que o sindicato possa ajuizar a substituição processual para garantir os direitos coletivos dos trabalhadores.


Fica claro aqui que a reforma intensifica a desregulamentação dos direitos nas relações capital-trabalho, com grandes benefícios para o capital, restringindo ao máximo a participação do Estado e da Justiça quanto a possíveis avanços nos direitos trabalhistas. Por outro lado, a regulamentação proposta no conjunto do projeto é de um controle exagerado, amarrando ou mesmo inviabilizando a ação sindical. A substituição processual é plenamente restritiva e privatista, dificultando sobremaneira a defesa dos direitos coletivos dos trabalhadores a partir do sindicato.


Finalmente, a proposta concentra enormes poderes no âmbito do Ministério do Trabalho, já que o Conselho Nacional do Trabalho não será um órgão deliberativo, cabendo ao governo de plantão a tutela completa e descabida do movimento sindical brasileiro. Nesse sentido, a reforma age na contramão daquilo que propõem alguns setores do movimento sindical brasileiro, cuja crítica ao modelo “Getulista” é exatamente a intervenção do Estado nos sindicatos, impossibilitando sua plena liberdade e autonomia. Ocorre que diversas regras intervencionistas abolidas pela Constituição de 1988 voltam agora com a emenda proposta pelo FNT.


O cenário da reforma


Vale também lançar um olhar sobre algumas tendências locais e globais das relações capital-trabalho e em que contexto histórico realiza-se esse importante debate estrutural no país. Em janeiro de 2003, instalou-se um governo composto por novas forças políticas, eleitas para mudar o rumo que o Brasil vinha seguindo, sobretudo no que diz respeito a sua política econômica. No entanto, em alguns aspectos mantém-se a agenda de reformas estruturais que eram a tônica do governo anterior.


Lamentavelmente, inclui-se nela a proposta de reforma sindical. Nas atuais condições macroeconômica e econômicas, que submeteram o trabalho a uma crise sem precedentes históricos (desemprego, renda em queda, informalidade, sindicatos em crise etc), a medida tende a favorecer muito mais ao capital e aos especuladores que ao povo e aos trabalhadores brasileiros.


No plano internacional, a situação não é das mais promissoras. A regressão que devastou as condições e o direito do trabalho nos anos 80 e 90 nos países periféricos chegou neste último período com força total ao Primeiro Mundo. As reformas trabalhista e previdenciária em curso na Europa são um claro sinal de que o estado de bem-estar social alcançado naquele continente sofre grande pressão e o ataque aos direitos sociais estão na ordem do dia.


Outro fenômeno global de grande importância – e que deverá interferir diretamente no processo de reforma – diz respeito à expansão das economias chinesa e indiana. Com um terço da população do planeta e uma política agressiva de crescimento econômico, esses paises da Ásia estão alterando de maneira acelerada o já precário equilíbrio do sistema de produção capitalista no pós-guerra. Com um custo da mão-de-obra muito abaixo da média internacional e com alta produtividade, pressionam o mercado de trabalho global para patamares imprevisíveis de precariedade.


A situação asiática tenciona assim o sistema capitalista internacional a realizar grandes movimentos. Em escala maior, os países periféricos, que precisam realizar intensas transações comerciais, atingindo superávit comercial compatível com a rolagem de sua volumosa dívida pública.Ideologicamente também a situação não é das mais promissoras. O neoliberalismo, mesmo derrotado eleitoralmente em vários países, ainda mantém seus fundamentos e postulados inalterados e grande coesão política. E no pilar central do projeto está a desregulamentação dos direitos sociais e trabalhistas.


Perseguindo esse objetivo, a ideologia neoliberal avança em formulações que buscam estabelecer os limites entre capital trabalho e a sua relação com o Estado. Assim, no interior das empresas impõem-se as regras de mercado, ou seja, “a livre negociação” com plena flexibilidade contratual e salarial, possibilitando ao empresário e ao trabalhador decidir “livremente” sem intervenção do Estado “o melhor” para as partes em cada momento conjuntural da empresa e da economia em geral. No âmbito do Estado, são três as ações:

1) A desregulamentação dos direitos trabalhistas, sobrepondo-se o negociado sobre o legislado; 2) Estado mínimo para os trabalhadores e máximo para o capital. Essa política tem como marca o aperto fiscal, que implica entre outras coisas a redução de gastos os servidores e com os próprios serviços essenciais (saúde, educação, moradia etc.);

3) Regulamentação de leis que dificultem a ação dos movimentos sociais e a própria criminalização da luta social.


É nesse contexto político e econômico que ocorrem as reformas sindical e trabalhista no Brasil. À situação descrita acima devemos ainda adicionar a crise por que passa o movimento sindical dos trabalhadores, reflexo dos anos de chumbo da era FHC que flexibilizou, precarizou, informalizou e desempregou milhões de brasileiros.


* Gilson Reis é membro da Executiva Nacional da CUT e dirigente nacional da Corrente Sindical Classista.


CPI da Petrobras, da lama ao caos


19 DE MAIO DE 2009

por Gilson Reis


*“Do caos à lama, da lama ao caos, um homem roubado nunca se engana”

(Chico Science & Nação Zumbi)

O Senado Federal nunca foi uma casa legislativa de santos e santas, de homens e mulheres comprometidos com o avanço do país e o bem estar do povo brasileiro. Muito pelo contrário, é um espaço de conspirações, de intensa disputa política, muitas vezes de baixa qualidade; um espaço legislativo que concentra chefes políticos regionais da pior espécie, liberais patrocinados pelas grandes corporações, parlamentares de longa vida no poder executivo e ou legislativo. O Senado Federal é um espaço da República que mantém a concentração do poder do capital, o conservadorismo da política, a representação desajustada da federação e uma improdutividade legislativa incomparável.


É nesse cenário desajustado e depreciado que nos últimos noventa dias o país recebe uma avalanche de denúncias de corrupção e malandragens praticadas pelos senhores senadores. Somente para ficar em algumas, que por vezes são tantas, que chegamos a esquecer. Agaciel Maia, diretor-geral do Senado, foi demitido, depois de treze anos, por organizar um amplo e complexo esquema de corrupção na casa, através de contratação de empresas terceirizadas para prestar serviços aos senadores. O diretor não declarou ao fisco uma mansão de cinco milhões de reais nas cercanias de Brasília. Existem no Senado Federal dezenas de empresas terceirizadas sob suspeita de fraude. Somente quatro contratos avaliados recentemente apresentaram um desvio dos cofres públicos de treze milhões de reais, conforme apurado pela mesa diretora da instituição. Algumas das empresas que prestam serviços estão sob suspeita de contratar centenas de parentes e cabos eleitorais de senadores. Essa forma de contratação dribla a proibição estabelecida pelo STF, que determinou o fim do nepotismo. Empresas como Aval, Fiança, Delta Engenharia e Ágil estão na mira do Ministério Publico, como os possíveis operadores de caixa dois em eleições. A empresa Aval firmou recentemente contrato milionário com o Senado Federal, assinado pelo empresário José Carvalho de Araújo, o mesmo que foi preso pela Polícia Federal na operação Mão-de-obra. O diretor de recursos humanos, João Carlos Zoghbi, organizou um esquema de corrupção que passava pelos empréstimos consignados aos funcionários do Senado com o Banco Cruzeiro do Sul. Esse banco foi constituído no início do governo FHC e teve um crescimento patrimonial de vinte vezes. Sua principal operação é emprestar dinheiro a trabalhadores públicos em municípios e estados e também a algumas estruturas da República, no caso o Senado Federal.


Essas são apenas algumas das denúncias que vieram à tona neste recente período. Não pretendo tratar de viagens internacionais, das passagens aéreas, das 181 diretorias do Senado, que consomem uma fortuna de recursos, do pagamento de R$ 3,6 milhões de horas extras para funcionários em férias, jatinhos, prostituição e uma enormidade de desvios éticos e morais que assolam os senhores e senhoras senadores. Todavia, apareceu, na última semana, o paladino da moralidade, o senador tucano Álvaro Dias, do Paraná, o mesmo que, no ano passado, entregou à Veja, clandestinamente, um dossiê de gastos do presidente FHC durante o seu governo e, em conluio com a revista, transferiu toda a responsabilidade para a ministra Dilma Roussef, criando uma intensa crise institucional e uma CPI para apurar as denúncias fabricadas.


O senador Álvaro Dias é, com certeza, o que mais de repugnante temos na vida política nacional. Entretanto o senador nestes últimos dias superou todas as suas potencialidades. A jogada é a seguinte: esvaziam-se as denúncias contra o Senado e os senadores, denuncia-se o governo Lula de corrupto e aprova-se uma CPI no Senado Federal para apurar possíveis desvios em contratos da Petrobras. Intensifica-se, dessa forma, a disputa política de 2010, não sob a ótica de um projeto político e econômico para o país, mais sim pela via da moral udenista, e aglutina-se toda a imprensa marrom para respaldar o circo dos tucanos e demos.


Não vou concentrar a conclusão desse artigo na disputa eleitoral de 2010, que será amplamente debatida nos próximos quinze meses. Vou concentrar energia na proposta de CPI da Petrobras. A Petrobras fará sessenta anos de idade no próximo ano. A empresa é hoje uma das quatro maiores petrolíferas do mundo. No governo FHC, foram realizadas várias tentativas para privatizar a empresa e entregá-la ao capital internacional, como fizeram com a Vale do Rio Doce. Primeiro acabaram com o monopólio da exploração de petróleo. Depois venderam 30% do capital da estatal na Bolsa de Nova Iorque. Em seguida, realizaram um acordo em 1999 com o FMI em que um dos itens era a privatização da empresa. O acordo foi descoberto e uma intensa pressão foi desencadeada, do Exército brasileiro a setores populares, determinando o recuo do governo FHC. Além disso, tentaram excluir a referência nacional do nome da empresa (que é o maior orgulho do povo brasileiro), alterando-o para Petrobax, sem o S do final.


Desestabilização


Mas o objetivo real do senador tucano Álvaro Dias é desestabilizar a Petrobras. A empresa nos últimos seis anos conseguiu o objetivo nacional de auto-suficiência na produção de petróleo; investiu bilhões de reais em construção de plataformas e navios em estaleiros brasileiros, fortalecendo a economia nacional e gerando emprego para milhares de trabalhadores; investe bilhões de reais no PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) e em obras de infra-estrutura; fortalece a unidade Latino-americana por meio de parcerias com empresas de países da região; intensifica a pesquisa com energias alternativas e recicláveis e a produção de energia através da biomassa; fortalece o projeto de globalização do etanol como alternativa de energia reciclável, dentre várias outras políticas desenvolvidas pela empresa. Todas essas iniciativas são um testemunho histórico da incompetência dos tucanos e demos e o quanto teria sido prejudicial para o país a privatização da Petrobras, proposta no governo FHC.


Presente para as multinacionais


Entregar a Petrobras e o pré-sal para empresas transnacionais é também um dos objetivos do senador tucano e seus parceiros no Senado Federal. Há quinze dias começamos a retirar as primeiras gotas de petróleo da área do pré-sal denominada Tupi. A área do pré-sal abrange uma grande extensão que vai do Espírito Santo até Santa Catarina. Técnicos e engenheiros da Petrobras estimam uma reserva de petróleo na casa de 100 bilhões de barris. A reserva hoje do país é da ordem de 14 bilhões. Ou seja, caso se confirmem as reservas petrolíferas do pré-sal, teremos um acréscimo de 800% em nossas reservas e nos transformaremos num dos maiores produtores de petróleo do mundo. O governo, de forma acertada, suspendeu o leilão nas áreas de exploração abrangidas pelo pré-sal. As empresas Exxon, Galp, Britânica BG, Shell, Stingi, Chevron, Ali Moshiri, SK sul coreana, que operam na região descoberta, em função dos lotes leiloados, não gostaram da decisão do governo e da ANP (Agência Nacional de Petróleo) de suspender os leilões previstos neste último período. Com certeza gostariam de controlar e explorar esse tesouro submerso nas profundezas da plataforma continental brasileira.


Privatização


Como sabemos, o PSDB e os Demos estão ávidos para retornarem ao comando do governo central do Brasil. Não conseguiram implementar toda a política neoliberal nos oito anos de governo FHC. O pior para essa turma entreguista é conviver com um governo que fortalece as empresas estatais que restaram, como a Caixa, o Banco do Brasil e a Petrobras, e as coloca no centro da política brasileira para combater a grave crise que o mundo vive. Na visão dos tucanos, a única forma de retornar o debate em torno da privatização da empresa é desmoralizá-la perante a opinião pública. A forma clássica utilizada nos anos noventa era a corrupção. Por meio dessa campanha, conseguiram privatizar grande parte das nossas estatais, como a Vale do Rio Doce, vendida por R$ 3 milhões e que hoje vale, na bolsa de Nova Iorque, US$ 100 bilhões.


A princípio, a atitude do senador tucano pode ser mesmo de esconder a podridão e a corrupção que se abateram sobre o Senado. Entretanto, escolher a Petrobras para realizar essa jogatina política tem objetivos maiores, inconfessáveis, que passam pelas multinacionais, interesses internacionais, privatizações, desestabilização política e econômica do país, ataque à credibilidade da Petrobras em todo o mundo, criando condições políticas para tucanos e demos retornarem ao governo federal em 2010.


Não podemos permitir que meia dúzia de traidores da pátria, aliados a uma imprensa vendida, destrua nossos sonhos e objetivos de construir uma nação autônoma, democrática, soberana e justa socialmente. Querem os tucanos transformar a lama do Senado em caos político.


Não à CPI da Petrobras!


*Gilson Reis, Presidente do Sinpro - MG - Sindicato dos Professores e dirigente nacional da CSC.


Diretor da CONTEE participa de encontro de solidariedade à Bolívia

Gilson Reis, diretor da CONTEE,cumprimenta o presidente Evo Morales



Ocorreu, entre os dias 23 e 25 de outubro, o Encontro Internacional de Solidariedade à Bolívia, um ato em apoio ao presidente Evo Morales e ao povo boliviano, vítimas do mais vil e profundo preconceito e racismo praticado recentemente pela elite daquele país. Encontros dessa natureza já ocorreram em anos passados na Cuba socialista e na Venezuela chavista, todos centrados na luta contra o imperialismo estadunidense e a globalização neoliberal, que destroem sonhos e esperanças em todo mundo.


Estiveram presentes no encontro dirigentes de dezoito países, representando cerca de 160 organizações indígenas, camponesas, sindicais, juvenis, de mulheres e entidades não-governamentais. Durante três dias, os delegados inscritos debateram diversos temas com autoridades nacionais, como o vice-presidente da República Boliviana, Álvaro Garcia, e o ministro de Estado da Presidência, Juan Ramon Quintana. A programação contou ainda com a intervenção de várias organizações latino-americanas, representando os mais variados setores do movimento popular.



No terceiro dia, o encontro dividiu-se em grupos de trabalho para debater os problemas centrais pelos quais passam a Bolívia e os demais países da América Latina. Três temas foram apresentados aos participantes: a luta pela defesa dos direitos humanos dos povos latino-americanos frente ao racismo, ao terrorismo e à criminalização dos movimentos sociais; a escalada da militarização e da estratégia intervencionista de dominação e divisionismo dos Estados Unidos e dos setores reacionários oligárquicos da região, com o objetivo de desestabilizar os governos revolucionários e progressistas da América Latina, particularmente da Bolívia; e as alternativas de integração política, econômica e cultural entre os governos e os povos do continente ante ao impacto das crises do livre-comércio.



Ao final do terceiro dia, foi realizado na cidade de Montero, a 50 quilômetros de Santa Cruz, um grande ato público, com a presença do presidente da Bolívia, Evo Morales. Carregado de emoção, milhares de pessoas reuniram-se em um estádio de futebol para ouvir os principais dirigentes do movimento sindical do campo e da cidade e lideranças indígenas e populares, todas em defesa do socialismo e das transformações que ocorrem na Bolívia. No centro de todas as manifestações estava a defesa da constituição popular, que deverá ir a referendo no dia 25 de janeiro de 2009, depois de uma longa disputa entre o governo Evo Morales e as oligarquias da região da meia lua, fundamentalmente de Santa Cruz.



Estiveram presentes, Gilson Reis, presidente do Sinpro Minas e diretor da CONTEE; Joilson Cardoso e Manoel de Lima, diretor da Federação Nacional dos Correios. Os três representantes brasileiros saíram com a certeza de que o país, conduzido por Evo Morales e sustentado pela maioria do povo da Bolívia, vive um momento de profunda esperança e transformação. É como diz o lema do encontro: Quien se levanta com Bolívia y Evo Morales se levanta por todos los pueblos y para todos los tiempos!



Por Gilson Reis – Presidente do Sinpro Minas e diretor da CONTEEFonte: Sinpro MinasPublicado em 29/10/2008

Plano Decenal de Educação divide governo e sindicalistas


Fotógrafo:
MARCELO METZKER


Fotógrafo:
ALAIR VIEIRA



O debate público foi organizado pela Comissão de Educação, Ciência, Tecnologia e Informática. O Plano Decenal de Educação, que contém o planejamento para a educação em Minas nos próximos dez anos, tramita na ALMG sob a forma do Projeto de Lei (PL) 2.215/08, do governador, e está sendo avaliado durante toda esta sexta-feira (13) em debate público promovido pela Assembleia e diversas entidades. O evento é uma das etapas preparatórias do Fórum Técnico sobre o mesmo tema, que será realizado no Plenário em maio e antes terá uma etapa de interiorização. À tarde, foram abordadas a formação e a valorização dos profissionais da educação, financiamento e gestão e diálogo entre as redes de ensino e suas interações.


As cobranças mais veementes partiram do presidente do Sindicato dos Professores do Estado de Minas Gerais (Sinpro), Gilson Reis. Logo no início de sua fala, ele ressaltou a morte de um aluno na porta de uma escola em Belo Horizonte, nesta semana. Além de medidas de segurança, ele cobrou investimentos no ensino técnico público e nas universidades estaduais, para que elas possam se dedicar à criação de um projeto estratégico que tire a economia mineira da dependência da mineração.


Partiu de Gilson Reis a crítica de que o Conselho Estadual de Educação não tem espaço para representantes de professores, alunos e sociedade organizada. O secretário-adjunto de Educação negou a afirmativa com veemência. "Há representantes dos professores da UFMG, da Uemg. O modelo é o mesmo do Conselho Nacional", afirmou o secretário.


O presidente do Sinpro também acusou o Estado de não participar da discussão e elaboração da Conferência Nacional de Educação e de pressionar contra a aplicação do piso salarial mínimo de R$ 950 para o setor.



Democracia do debate é questionada


A reação mais forte do secretário Filocre foi no sentido de repelir acusações contra a forma de elaboração do Plano Decenal de Educação. Segundo ele, o plano é resultado de um debate que começou em 2004, passando por todos os municípios mineiros, superintendências e regionais de ensino, além de um congresso estadual. "Tudo que foi aprovado nesse congresso consta neste projeto", garantiu o secretário. Ele acrescentou que a Secretaria de Educação guardou todas as propostas rejeitadas no congresso e que poderia encaminhá-las à Assembleia, a fim de contribuir para a nova fase de discussão.


Pelo governo, sua fala foi complementada pelo subsecretário de Estado de Administração do Sistema Educacional, Gilberto Rezende dos Santos. Ele ressaltou a necessidade de se buscar fontes de recursos para as propostas elaboradas, sob pena de torná-las inaplicáveis e sujeitas a vetos.


Santos afirmou que o recurso disponível hoje, no Estado, considerando todas as fontes de recursos, é de R$ 2.386 por aluno. Ele acrescentou que os fundos criados pelo Governo Federal para reforçar o ensino, tais como Fundef e Fundeb, não ajudaram muitos municípios mineiros.


Embora muitos tenham recebido recursos adicionais, mais de 400, nos dois casos, tiveram perdas e precisaram de recursos do Estado.



Critério financeiro é criticado


Mais de um palestrante criticou a preponderância do critério financeiro para a aprovação de novas propostas e diretrizes de educação. A coordenadora-geral do Sindicato Único dos Trabalhadores em Educação (Sind-UTE), Maria Inez Camargos, disse que muitas propostas feitas ao plano foram rejeitadas anteriormente sob este argumento. "Todas as metas e gestões estratégicas estão sujeitas à disponibilidade financeira", afirmou.


Maria Inez disse que algumas questões devem ser priorizadas, partindo-se depois à busca de recursos que as viabilizem. Cobrança semelhante foi feita por André Picanço. "Porque as metas são econômicas e não políticas, tais como o princípio da autonomia do professor?", questionou. Maria Inez cobrou ainda o estabelecimento de tempo destinado ao planejamento na carga horária do professor; ingresso na carreira por concurso público; limitação do número de alunos por turma e implantação de um padrão mínimo de infra-estrutura nas escolas.


Já o diretor da Confederação Nacional de Pais de Alunos (Confenapa), Pedro Barreto, fez uma análise nacional dos recursos investidos na educação por cada Estado. Ele ressaltou que algumas unidades da federação, tais como Maranhão e Pará, recebem um terço dos recursos por aluno destinados às unidades mais ricas, tais como Distrito Federal ou São Paulo. Ele defendeu a criação de um fundo nacional que substitua os fundos estaduais e municipais. Também criticou o Plano Decenal, que segundo ele traz metas muito "genéricas".



Especialistas criticam visão tecnológica do Plano Decenal


Ao avaliar as metas do Plano Decenal de Educação para a área de formação profissional, especialistas e educadores criticaram o que chamaram de excessiva ênfase nos recursos tecnológicos previstos e recomendaram um olhar mais realista para as mudanças sociais. Além disso, destacaram a necessidade da busca de novas formas de financiamento para a educação, diante da crise mundial que já se reflete no Brasil na queda de arrecadação de impostos, fonte única de financiamento da educação.


O PL 2.215/08, que trata do Plano Decenal da Educação, traz como metas em relação aos profissionais da educação: aumentar para 50%, em cinco anos, a taxa de professores com curso normal médio completo ou superior atuando na educação infantil e para 100%, em dez anos; levar para 97%, em cinco anos, a taxa de professores habilitados com formação superior completa atuando no ensino médio e para 100%, em dez anos; e reduzir em 50%, em cinco anos, o percentual de servidores com contrato temporário na rede pública e em 80%, em dez anos.


Para o professor aposentado da Universidade Federal do Mato Grosso e consultor legislativo do Senado Federal, João Monlevade, o grande problema que se coloca na elaboração do Plano Decenal mineiro, ou de qualquer outro Estado, é se equacionar a possibilidade de recuo da arrecadação com o financiamento da educação. Segundo ele, o modelo baseado no percentual sobre a arrecadação foi bom por um momento, mas está esgotado. E lembrou que como fontes alternativas de financiamento existem, por exemplo, as deduções do Imposto de Renda para o Fundo da Criança e do Adolescente.


João Monlevade disse ainda que é preciso colocar no Plano Decenal o cumprimento da lei do piso salarial nacional, "determinante para a qualidade do ensino". E disse que Minas Gerais levou oito anos e meio para elaborar seu Plano Decenal, "por isso agora tem a obrigação de fazer o melhor plano do Brasil, participativo e revolucionário".



Excesso de tecnologia - Para o professor de Educação da Uemg, André Favacho, o Plano Decenal não deve cair nas armadilhas do discurso político de que a educação é a salvação da família e da sociedade. Por isso, ele disse que é preciso repensar a exigência de dedicação dos professores. "Não se deve exigir dele mais sacrifícios, porque a profissionalização é algo que deve ser construída em conjunto por professor e Estado".


André Favacho considerou o projeto do Plano Decenal "iluminista e racionalista". Ele disse que é preciso compatibilizar teoria e prática, e uma das formas seria a reorganização dos horários de trabalho. Outra crítica de Favacho refere-se ao "excessivo conjunto de estratégias tecnológicas". Para ele, a formação do docente não se resume ao domínio de novas tecnologias, mas a um tripé indissociável entre formação inicial, salário e carreira e valorização permanente.


Crítica semelhante manifestou o educador e professor emérito da Faculdade de Educação da UFMG, Miguel Arroyo. Teórico da Escola Plural implantada na rede de ensino da Prefeitura de Belo Horizonte no governo Patrus Ananias, de 1993 a 1996, quando exerceu o cargo de secretário-adjunto de Educação, Arroyo criticou o que chamou de visão ingênua, que atrela o bom desempenho da educação à boa formação do professor.


Arroyo disse que a formação do professor não pode ser encarada como uma situação miraculosa que irá resolver os problemas da infância, da violência. Ele garantiu que a formação do docente tem de ser de forma política, baseada na realidade. "Não basta então as mudanças tecnológicas, mas as mudanças sociais profundas que estão acontecendo", disse. Miguel Arroyo afirmou que é preciso pensar qual sistema educacional dará conta da nova realidade, qual profissional dará conta da nova infância. E avalia que só uma escola pública popular é capaz de responder isto.


Ele criticou ainda a imposição da negatividade da educação, através da divulgação de índices baixos, como avaliações, provões, imagem negativa que se cola ao profissional da área. Segundo Arroyo, é um novo profissional, consciente de seus direitos humanos e sociais, atuando ao lado dos novos movimentos sociais, principalmente os oriundos do campo, que deverá assumir essa escola pública popular.



Sabatina - Na fase de debates, os representantes da Secretaria de Educação continuaram ouvindo as críticas de estudantes e professores. A maioria delas com referência ao piso salarial da categoria e à falta de infra-estrutura das escolas.


Servidores da área administrativa também reclamaram que estão há quase 10 anos sem aumento e que recebem pouco mais de R$ 500. "A reivindicação desses profissionais é justa. E o próprio governador já reconheceu que tem uma dívida com os servidores, por isso já firmou o compromisso de rever a situação", afirmou João Antônio Filocre.





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