sexta-feira, 20 de abril de 2012

Greve dos professores estaduais da Bahia continua e se fortalece




Os profissionais em educação da rede estadual de ensino reuniram-se em assembleia, na manhã da quinta-feira (19), para debater os rumos do movimento grevista, iníciado no último dia 13 e que deve continuar por tempo indeterminado.

Atividade foi realizada dentro Assembleia Legislativa da Bahia, ocupada desde a última quarta-feira (18) por representantes dos professores, funcionários, estudantes e lideranças sindicais da capital e do interior do estado.

Os professores estão acampados no prédio da Assembleia para pressionar os deputados a não aprovar o Projeto de Lei 19.776/2012. Na terça-feira, os deputados aprovaram a urgência na votação do projeto, que transforma a remuneração de professores com titulação em ensino médio, licenciatura curta ou não licenciados em subsídio. Com isso, o projeto deve ser votado até a próxima terça-feira (24).

Segundo Marilene Betros, dirigente da CTB e da APLB Sindicato, cerca de 2 mil pessoas ocupam a Assembleia sem previsão de sair. "Permaneceremos aqui até termos uma posição do governo. Além dos professores, também há membros do movimento estudantil e chegou muita gente do interior. Estamos fazendo uma força-tarefa", destacou a sindicalista.

Para a dirigente não é possível que o Estado aprove um projeto que acaba com os benefícios conquistados pelos trabalhadores ao longo dos anos. “O projeto é ruim porque retira conquistas históricas da categoria, nivela por baixo e não por cima. Ela tira todas as vantagens que o professor tinha. O PL prejudica os trabalhadores no nível, médio, licenciatura curta e nível superior. Transforma conquistas históricas como regência de passe, atividade complementar, adicional por tempo de serviço, em subsiíio. Ou seja, é uma saída do governo para não pagar o piso nacional", ressaltou.

Ná ultima semana , o Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos) lançou um documento onde faz considerações sobres os prejuízos do PL 19.776/2012. Confira o documento na íntegra.

Professores baianos mobilizados

Depois da votação, que decidiu pela continuidade da greve, que entrou em seu oitavo dia, os educadores fizeram reuniões zonais, no próprio Centro Administrativo. Nesta sexta-feira (20) haverá outras reunião das zonais no saguão da Assembleia Legislativa.

Para o interior do estado, ficou decidido que o próximo passo do movimento é a ocupação das Diretorias Regionais de Educação (Direcs), nos moldes da que está em andamento na Assembléia Legislativa; divulgação nas feiras, nas Câmaras de Vereadores, e criação de grupos de estudos para estudar e perceber o quanto é nocivo o projeto do governo.

Em Jequié, a categoria reafirmou a continuidade movimento em assembleia realizada na manhã da ultima quarta-feira (18) no plenário da Câmara de Vereadores e agendou uma nova assembleia para quarta-feira (25), às 14h, no auditório da Terceira Visão (próximo a Igreja Monte Horebe) e Ato Público às 17h na Praça Rui Barbosa.

Quanto ao corto no "ponto" dos funcionários, o departamento jurídico da APLB-Sindicato já entrou com ação contra a medida e para derrubar a liminar do governo que solicitou a ilegalidade da greve. Na próxima semana o Tribunal de Justiça da Bahia vai analisar a questão.

Fonte: APLB Sindicato


Portal da CTB

quinta-feira, 19 de abril de 2012

Por que o Massacre de Eldorado dos Carajás permanecerá impune?



O Massacre de Eldorado dos Carajás, que matou 19 sem-terra e deixou mais de 60 feridos após uma ação violenta da Polícia Militar para desbloquear a rodovia PA-150, no Sudeste do Pará, completa 16 anos nesta terça.

Por Leonardo Sakamoto

Duas pessoas foram condenadas por reprimir com morte a manifestação: o coronel Mario Colares Pantoja (a 228 anos) e o major José Maria Pereira Oliveira (a 154 anos), que estavam à frente dos policiais. Eles recorreram em liberdade. No final do mês passado, o ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal, negou o direito de continuarem nessa condição. Agora, não há impedimento para que sejam presos.

Alguns veem na prisão de ambos o fim da impunidade do caso – o que, para dizer o mínimo, é uma visão muito limitada da realidade. Pois, pergunto a vocês:

Um massacre se faz com duas pessoas?

Os responsáveis políticos na época, o então governador Almir Gabriel (que ordenou a desobstrução da rodovia) e o secretário de Segurança Pública, Paulo Câmara (que autorizou o uso da força policial), nunca foram processados. Outros 142 policiais militares que participaram da matança foram absolvidos. Isso sem contar que as denúncias de fazendeiros locais que teriam dado apoio para a ação policial ficaram por isso mesmo.

Um massacre se faz da noite para o dia?

Se fossemos contar todos os casos anteriores de sindicalistas, trabalhadores rurais, camponeses, indígenas cujos carrascos nunca foram punidos no Pará, teríamos o maior post de todos os tempos. Por exemplo, na década de 80 e 90, os fazendeiros resolveram acabar com o Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Rio Maria, no Sul do Pará, e assassinaram uma série de lideranças. Foram a julgamentos, houve condenações, fuga de pistoleiros, mandantes que viveram em paz até a sua morte natural. A certeza da impunidade pavimenta a tortura e a violência contra trabalhadores e populações tradicionais no Pará.

Um massacre solucionado gera filhos?

A Justiça, quando se refere ao Pará, tem servido para proteger o direito de alguns mais ricos em detrimento dos que nada têm. Mudanças positivas têm acontecido, graças à sociedade civil, à imprensa e a promotores, procuradores e juízes que têm a coragem de fazer o seu trabalho, mesmo com o risco de uma bala atravessar o seu caminho. Mas tudo isso é muito pouco diante do notório fracasso em garantir a dignidade daqueles que lutam com melhores condições de vida até o presente momento. Praticamente toda a semana, uma liderança social é morta na Amazônia. Algumas são mais conhecidas e ganham mídia nacional e internacional, mas a esmagadora maioria passa como anônimos e são velados apenas por seus companheiros. Além da importância do trabalho de Maria e Zé Cláudio, lideranças extrativistas de Nova Ipixuna assassinadas no ano passado, a morte deles ocorreu no dia de votação do novo Código Florestal na Câmara dos Deputados, o que contribuiu em dar visibilidade ao crime. E aqueles que morrem em dias de jogos da Copa do Mundo em que não há ninguém prestando atenção?

Um massacre ocorre aleatoriamente?

As mortes no campo são resultado de um modelo de desenvolvimento concentrador, excludente, que privilegia o grande produtor e a monocultura, em decorrência ao pequeno e o médio. Que explora mão-de-obra de uma forma não-contratual, chegando ao limite da escravidão contemporânea, a fim de facilitar a concorrência em cadeias produtivas cada vez mais globalizadas. Que fomenta a grilagem de terras e a especulação fundiária, até porque tem muita gente graúda e de sangue azul que se beneficia com as terras esquentadas e prontas para o uso. Que muito antes da época dos verde-oliva já considerava a região como um “imenso deserto verde” a ser conquistado – como se o pessoal que lá morasse e de lá dependesse fossem meros fantasmas. Que está pouco se importando com o respeito às leis ambientais, porque o país tem que crescer rápido, passando por cima do que for. Tudo com a nossa anuência, uma vez que consumimos os produtos de lá alegres e felizes com nossa ignorância, elogiando algumas marcas e empresas que – ao contrário de nós – não estão imersas em ignorância.

Um massacre é um fato isolado?

De acordo com a Comissão Pastoral da Terra, apenas nas regiões Sul e Sudeste do Pará, há cerca de 50 pessoas marcadas para morrer devido a conflitos rurais. Aliás, se tivesse sido aprovado no plebiscito, o Estado de Carajás – onde fica Eldorado – nasceria como o mais violento da nação – um título edificante. Entre 1971 e 2007, foram 819 pessoas mortas em função de disputas por terra no Estado. Conta-se nos dedos de uma mão os punidos após condenação.

Um massacre, como um raio, não cai duas vezes no mesmo lugar?

Em novembro de 2009, quase ocorreu uma tragédia na “Curva do S”, local onde 19 trabalhadores rurais sem-terra foram assassinados. Policiais ameaçaram ir para cima de mais de mil trabalhadores ligados ao MST durante uma manifestação pacífica. Faltou pouco, muito pouco. À frente, o delegado Raimundo Benassuly, que ficou conhecido nacionalmente por tentar justificar que uma adolescente de 15 anos colocada em uma cela cheia de presos no Pará era a culpada pelo episódio. Relembrando: segundo ele, a menina “certamente tem alguma debilidade mental porque em nenhum momento informou ser menor de idade”. Foi afastado, mas depois voltou ao cargo. Como disse o ultrapassado Marx, “a história se repete, a primeira vez como tragédia e a segunda como farsa”.

Um massacre por policiais é responsabilidade do poder público?

A pergunta é: quem comanda o quê? Há uma relação carnal que se estabelece entre o público e o privado na região amazônica. O detentor da terra exerce o poder político, através de influência econômica e da coerção física. É freqüente, por exemplo, encontrar policiais que fazem bicos como jagunços de fazendas. Em outros casos, as tropas públicas estiveram diretamente a serviço de particulares. Sabe qual a chance de trabalhadores rurais que solicitam a destinação de terras griladas para a reforma agrária ou de comunidades tradicionais que exijam a devolução de terras roubadas terem o mesmo sucesso que grandes proprietários que pedirem a desocupação de terras? Anos atrás, grandes proprietários rurais e suas entidade patronais chegaram a demandar intervenção federal no Pará uma vez que o poder público local não estava sendo célere – em sua opinião, claro – para garantir reintegrações de posse de terras (muitas das quais, com sérios indícios de grilagem). Se fossem trabalhadores pedindo isso, o ato seria encarado como um levante comunista.

Pegue matérias sobre assassinatos no campo no Pará e no Brasil. Verá que é só trocar o nome dos mortos, do município (às vezes, nem isso) e onde foi a emboscada para serem a mesma matéria de antes. As mesmas desculpas do governo, os mesmos planos de ação parecidos, as mesmas reclamações da Comissão Pastoral da Terra, os mesmos grupos sendo criados para debater e encontrar soluções.

Pode-se prender um ou dois. Mas as condições que fizeram Eldorado dos Carajás estão aí produzindo vítimas. De novo. E de novo. E de novo…

Quando alguém conseguir dar uma resposta decente a essas indagações, considerarei que o massacre não acabou impune. Até lá, vou vendo a história feito carrossel, conduzida pelo giro dos tambores de revólveres, acompanhada pelo barulho seco de corpos caindo na terra batida ou no asfalto.

Publicado no Blog do Sakamoto

Dia do Índio: Yanomanis isolados estão ameaçados por garimpo



Este ano, celebra-se os 20 anos da homologação da Terra Indígena Yanomami. O anúncio, feito às vésperas da Conferência Mundial das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento (Rio-92), em 1992, no Rio de Janeiro, permitiu a permanência de índios "isolados", mas a presença do garimpo ilegal a menos de 15 km da aldeia onde vivem ameaça sua sobrevivência.

A Hutukara Associação Yanomami divulgou em seu site nesta quinta-feira (19) imagens inéditas de grupo yanomami isolado reconhecido como os Moxi hatëtëma thëpë por seus vizinhos. O vídeo Grupo Yanomami Isolado mostra cenas filmadas em julho de 2011 pelo cinegrafista da Hutukara Morzaniel Iramari Yanomami, durante sobrevoo realizado em parceria com a Funai, por meio da Frente de Proteção Etnoambiental Yanomami e Ye'kuana.

Pelas imagens pode-se estimar uma população aproximada de 70 pessoas e aparentemente com boa saúde. Os Moxi hatëtëma thëpë são conhecidos de longa data dos Yanomami que vivem em suas proximidades, e com quem sempre mantiveram relações de inimizade. A Funai já havia registrado a presença desses isolados na década de 1970 tendo realizado algumas tentativas frustradas de entrar em contato com esse grupo. O vídeo divulgado pela Hutukara trata destas antigas relações de conflito, destacando que a política atual da Funai e dos Yanomami é de respeito à situação do isolamento,entendida como um ato coletivo voluntário.

Na época do sobrevoo, constatou-se que os Moxi hatëtëma thëpë correm perigo pois, segundo a Funai, existem garimpeiros atuando ilegalmente na TI Yanomami, a cerca de 15 km de sua aldeia. Esta proximidade vem restringindo as áreas de uso dos Moxi hatëtëma thëpë, empurrando-os para mais perto de outros Yanomami e aumentando cada vez mais os riscos de conflitos e/ou de uma crise epidemiológica, com consequências catastróficas.

Este ano, a Hutukara está dando destaque aos 20 anos de homologação da Terra Indígena Yanomami, ressaltando conquistas e desafios dos Yanomami e Ye´kuana. A demarcação permitiu a permanência de grupos Yanomami vivendo de forma autônoma em seu território, caso dos Moxi hatëtëma thëpë, sem contato com a sociedade brasileira e com outros indígenas. Ainda assim, apesar destes 20 anos, a Terra Indígena Yanomami segue exposta à presença de garimpeiros e fazendeiros, sendo urgente a consolidação de um plano de proteção e gestão do território, tema central das atividades desenvolvidas pela Hutukara e pelo ISA na Terra Indígena.






Fonte: Instituto Sócio Ambiental

Congresso instala CPMI do Cachoeira/Demóstenes



Com o plenário cheio, fato raro em uma quinta-feira, a sessão do Congresso Nacional, na manhã desta quinta-feira (19), criou a CPMI para investigar, no prazo de 180 dias, práticas criminosas desvendas pelas operações Vegas e Monte Carlo, da Polícia Federal, envolvendo Carlos Cachoeira e agentes públicos e privados.

Agência Câmara

Deputados e senadores encheram o plenário da Câmara para a sessão de instalação da CPMI. Os discursos que se seguiram à instalação da CPMI – da base aliada e da oposição – se concentraram na necessidade de que haja “espírito de isenção e equilíbrio e que todos colaborem para a CPMI”. Foi o que manifestou o senador Eduardo Suplicy (PR-SP), o primeiro a falar. O líder do PT na Câmara, deputado Jilmar Tatto (PT-SP), disse que a CPMI não é contra o governo nem contra a oposição, é para investigar a infiltração do crime organizado na vida pública brasileira.

A presidente em exercício do Congresso Nacional, deputado Rose de Freitas (PMDB-ES), disse que a CPMI foi requerida por 337 deputados e 72 senadores. E será composta por 15 membros da Câmara e 15 do Senado, com igual número de suplentes. Os nomes dos parlamentares que vão integrar a CPMI devem ser encaminhados pelas bancadas até a próxima terça-feira (24).

Trabalho grandioso

O deputado Delegado Protógenes (PCdoB-SP), que requereu a CPI do Cachoeira na Câmara, antes da decisão de se instalar a comissão mista – da Câmara e Senado –, destacou que “nós somos protagonistas desse trabalho grandioso que o Brasil vai ter”.

O deputado Chico Alencar (Psol-RJ) parabenizou a todos os parlamentares que subscreveram o requerimento do pedido de abertura da CPMI, explicando que o objeto de investigação é simples: “é o que tem degenerado na vida política brasileira após termos nos livrado da ditadura, a parceria público-privada que busca capturar o poder público”.

Ele também enfatizou a necessidade de que a CPMI “seja efetiva e prá valer”. E criticou a presença do senador Demóstenes Torres (ex-DEM), o principal acusado na relação suspeita com Carlinhos Cachoeira, que retomou o trabalho no Senado, após dias afastado da Casa, lamentando que “a sua verve se mostrou falsa, cínica e mentirosa”.

Estado contaminado

Para o deputado Jilmar Tatto, “tem que ter seriedade e paciência na investigação, mas ser bastante criterioso do ponto de vista do aprofundamento da investigação, porque tem autoridade para isso”, enfatizando a necessidade da ajuda de todos.

“(A CPMI) Não é contra o governo nem contra a oposição, é para investigar a infiltração do crime organizado na vida pública brasileira. O Estado está contaminado e nós vamos investigar, vamos a fundo, na relação com o Executivo, com o Judiciário, com o Legislativo e com a mídia”.

E, respondendo ao deputado ACM Neto (DEM-BA), que em seu discurso pediu ao governo que contribuísse para que a CPMI não acabasse em “pizza”, ele disse que “a oposição está com dificuldade de fazer discurso moralista porque o principal líder deles parece que foi pego e estão tentando tirar ele do DEM”, referindo-se ao senador Demóstenes Torres. E ironizou: “a oposição reclama de ser minoria, mas se hoje é minoria é porque o povo assim decidiu”.

Presidente e relator

O presidente da Câmara, Marco Maia (PT-RS), informou que ainda não foram definidos os nomes que ocuparão os cargos de presidente e relator da CPMI, mas que, por tradição dos maiores partidos em cada Casa, o PT, pela Câmara, deve ficar com a relatoria, e o PMDB, pelo Senado, com a presidência.

Ele afirmou que a CPMI não deve interferir no ritmo dos trabalhos na Câmara nem nas votações do Plenário. “A CPMI é importante para o Brasil porque vai desvendar uma quadrilha, que constitui um poder paralelo. Não será uma CPMI de posição e oposição. Aqueles que têm a intenção de fazer da comissão um grande espetáculo não devem fazer parte dela. Se for para fazer disputa política, a comissão não atingirá seu objetivo”, declarou.

De Brasília
Márcia Xavier

Milhares de professores protestam na sede da Governadoria, em Salvador



Milhares de trabalhadores da rede pública estadual de educação da Bahia promoveram, na última quarta-feira (17), uma manifestação em frente à sede da Governadoria, localizada no Centro Administrativo da Bahia (CAB), em Salvador.

Em greve desde a última sexta-feira (13), os profissionais da educação decretaram greve por tempo indeterminado há uma semana, período em que mais de um milhão de estudantes no estado estão sem aulas. Eles utilizam faixas e carros de som para chamar a atenção das autoridades do governo do estado quanto às reivindicações da categoria.

O Sindicato dos Trabalhadores em Educação do Estado da Bahia (APLB), que coordena a mobilização, exige o cumprimento do acordo de reajuste de 22,22% no piso nacional por parte do governo.

Na terça-feira (17), os professores acompanharam, na Assembleia Legislativa da Bahia, a sessão que resultou na aprovação do regime de urgência para a votação do Projeto de Lei 19.776/2012 do governo do estado, que estabelece o reajuste dos educadores. Com isso, o projeto será votado pelos deputados na próxima terça-feira (24).

Em Salvador, e na maioria das cidades do interior, os professores estão com as atividades suspensas mesmo depois que a Justiça declarou a ilegalidade do movimento. Na segunda-feira (16), durante reunião do comando de greve, a categoria resolveu entrar com um recurso para derrubar a liminar que declarou a ilegalidade do movimento.

De acordo com Rui Oliveira, coordenador-geral da APLB, o planejamento da greve está mantido mesmo sob risco de multa diária de R$ 50 mil, indicado na ordem judicial emitida na sexta-feira (13) pelo juiz da 5ª Vara da Fazenda Pública de Salvador, Ricardo D’ Ávila.

O magistrado pediu retorno imediato das atividades. A adesão dos professores é de maioria. Na cidade de Itabuna, sul da Bahia, por exemplo, 95% dos profissionais, segundo a APLB, participam da greve. Em Feira de Santana, a segunda maior cidade do estado, a mobilização da classe afeta as atividades educacionais de aproximadamente 150 mil alunos.

A Bahia tem 32.584 professores licenciados (integrantes da carreira do magistério estadual), que recebem salário acima do piso nacional no valor de R$ 1.586,06, além de gratificações, em consequência do reajuste de 6,5% dado a todo o funcionalismo estadual.

Para atender os 5.210 profissionais que ainda recebem abaixo do piso, englobados no nível médio, o governo do estado enviou à Assembleia Legislativa da Bahia um projeto de lei que quer assegurar valor mínimo de R$ 1.451. Segundo o governo, a aprovação do projeto pelos deputados irá extinguir o salário abaixo do piso nacional.

Portal CTB com informações da APLB Sindicato