quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

Trabalhadores do setor privado de ensino lançam campanha unificada

A Federação Interestadual dos Trabalhadores em Estabelecimentos de Ensino (Fitee) lança neste mês a campanha unificada pela valorização dos professores e auxiliares de administração escolar do setor privado.

O lançamento será neste sábado (10/12), como parte da programação do 18º Consind (Conselho Sindical da Fitee), evento realizado hoje e amanhã, na sede do Sinpro Minas, em Belo Horizonte, com o seguinte tema: A educação necessária para um novo projeto nacional de desenvolvimento.

A campanha, com o slogan Valorização começa com ganho real, traz peças publicitárias (cartazes, adesivos e folders) e um vídeo de 15 segundos (confira abaixo).





O objetivo da campanha é reunir os sindicatos filiados à Fitee (Sinpro Minas, Sinpro/ES, Saae/MG, Saae/ES e Sinaae/JF) para fortalecer a mobilização, em 2012, por melhores salários e condições de trabalho.

“As ações conjuntas entre professores e auxiliares de administração escolar do setor privado de ensino visam fortalecer as lutas que normalmente são travadas com os mesmos patrões, porém de forma isolada. Com o foco na ampliação do poder de compra dos salários como o primeiro passo para a valorização dos trabalhadores na educação privada, a campanha unificada alcançará melhores resultados, com benefícios para todos”, afirmam as entidades, no folder de divulgação da campanha.

Confira abaixo a entrevista do presidente da Fitee, Edson de Paula, ao Extra-Classe, o programa de TV do Sinpro Minas, exibido todos os domingos, às 8h50, na Band Minas.




quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

Sinpro Minas promove debate sobre Educação em Poços de Caldas

No último sábado (3/12), foi realizado um debate na Câmara Municipal de Poços de Caldas para tratar do Plano Nacional da Educação (PNE). Entre os expositores, estava o professor Gilson Reis, presidente do Sinpro Minas e da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras de Minas Gerais (CTB/MG). A professora Rosimar Prado, do SindUTE/MG e o professor de Filosofia do Direito, Aristides Ribas, foram os outros palestrantes do evento.

Apesar da importância do assunto a baixa frequência do público e a ausência de representantes do Legislativo e do Executivo foi percebida. O objetivo do encontro foi de unificar os trabalhadores da educação em torno das bandeiras do PNE e da luta por um Sistema Nacional Articulado. Ao final, houve um debate e levantamento de propostas de ações na luta por uma educação de qualidade.

O professor Yuri Almeida, que toma posse em janeiro no Sinpro de Poços de Caldas, diz que este foi o primeiro de muitos eventos que acontecerão. A atividade é uma promoção conjunta do Sinpro Minas com o Sindicato dos Trabalhadores em Educação (Sind-UTE), Sindicato dos Auxiliares em Administração Escolar (SAAEMG), Sindicato dos Servidores Públicos de Poços de Caldas (Sindserv) e o Pré-vestibular comunitário Educafro.

O Pensa Poços ouviu o professor Gilson Reis.

Confira a seguir a entrevista:

Pensa Poços – O problema da educação hoje é privilégio só de Minas Gerais ou você está vendo este problema permear o Brasil como um todo?

Gilson Reis: Nós vivemos um desafio no Brasil de recolocar a educação como prioridade e colocá-la em outro patamar. Penso que o problema da educação no Brasil é um problema em todos os lugares. Envolve desde a estrutura da escola, o projeto pedagógico, o investimento na educação, valorização dos profissionais, até passando por um projeto mais estratégico do que representaria a educação neste contexto histórico que nós estamos vivendo.

Gilson Reis: "Não é simplesmente a educação formal; É a educação como elemento estruturante da economia brasileira, do desenvolvimento nacional e da perspectiva da retomada de um outro projeto de Nação."

O Plano Nacional da Educação tem um corte histórico no sentido de discutir e debater que a educação deva ocupar um espaço privilegiado na sociedade brasileira para construir as condições estruturais, as condições de formação da sociedade brasileira para que a gente possa dar um salto de qualidade que o Brasil tem que apresentar.

O Brasil pode se transformar na quarta, quinta maior nação do mundo. Para podermos superar nossa condição nós precisaríamos ter um investimento maciço em educação, como fizeram Japão, Coréia, os países europeus, a China. Além do investimento tem o projeto pedagógico, o projeto estruturante da educação para que a gente possa então, nestas duas a três décadas, colocar nosso país em outras condições.

Este é o tema: Não é simplesmente a educação formal; É a educação como elemento estruturante da economia brasileira, do desenvolvimento nacional e da perspectiva da retomada de um outro projeto de Nação.

PP: Quando você fala em educação formal, onde que você quer chegar com isso?

Gilson: É o ensino básico, por exemplo, é um direito das pessoas terem acesso à educação infantil, fundamental e médio, acesso a ensino superior… O Brasil ainda tem um nível muito baixo ainda de acesso ao ensino superior. Só para a gente ter uma ideia, a China agora tem duzentas e cinqüenta milhões de pessoas no ensino superior, então isso é mais do que a população do Brasil. Um país desses que vai retomando o processo histórico de crescimentos é porque desenvolvem uma educação de qualidade e um projeto estratégico para o país. Essa é uma questão fundamental para nossa nação brasileira.

PP: A medição de forças entre prefeito, governador e governo federal afeta a educação. Você acha que resolve com protesto, com política ou a gente precisa de fato de dinheiro?

Gilson: A proposta do PNE ela é Sistema Nacional de Educação Articulada, é um sistema onde o prefeito, o governador e o presidente da república, os três entes federados, eles assumam suas responsabilidades, tanto na questão do investimento, da estrutura e das condições gerais de educação. E ele é articulado porque ele pega o setor público e setor privado num único projeto estruturante para a educação do país.

A proposta inicial que aprovamos na Conferência Nacional de Educação tem esse conteúdo, de deixar de ser educações fragmentadas, separadas, o projeto pedagógico do município, estado e União, se transformar num único projeto nacional. Isso é o elemento central do Plano Nacional de Educação, de criar sinergia, criar um processo onde que todos tenham responsabilidade, tanto público como privado, e de ter um objeto de ter uma formação superior em nosso país, uma formação de qualidade. A responsabilidade não pode ser do prefeito, nem vereador, nem governador… Tem que ser da sociedade e é lógico, responsabilizando também estes entes federados. E como você disse, o principal de todos, é a questão do investimento. Nós não podemos pensar na educação de qualidade se não tiver dinheiro, não tiver financiamento para poder estruturar esta educação nessa qualidade que precisamos fazer para o nosso país.

PP: Estas discussões vocês estão promovendo somente em Poços de Caldas ou estão fazendo também em outras cidades?

Gilson: Nós estamos realizando este debate no Estado todo, fizemos dezenas de discussões, temos um movimento que chama PNE pra valer, é um movimento nacional que levamos o debate para todo o país porque há um ano este projeto está na Câmara Federal e não avança, foi constituída uma Comissão que não apresentou o relatório nem levou em consideração inclusive as decisões da Conferência Nacional de Educação, então nós achamos que a sociedade brasileira precisa se mobilizar no sentido de discutir o Plano e colocá-lo em evidência em todo o país, e o mais grave é que hoje nós estamos sentindo que o setor privado de educação quer se apoderar desta discussão para poder abocanhar parte da fatia do dinheiro público para poder financiar a educação privada, além de não ter um debate aprofundado com a sociedade, há setores que, de forma esperta, utilizam o processo para poder transferir recursos públicos para a iniciativa privada. Além de se caminhar para não resolver o problema da educação, pode ser que se consiga piorar a educação no país.

Fonte: www.pensapocos.com



Programa de TV do Sindicato dos Professores debate o papel da mídia

O papel da mídia na construção da sociedade está em debate na edição 183 do programa Extra-Classe. A equipe do Sinpro participou do 17º curso anual do Núcleo Piratininga de Comunicação e entrevistou jornalistas e sindicalistas, brasileiros e estrangeiros. Com o tema Comunicação e Hegemonia num mundo em ebulição, o evento também foi uma oportunidade para a troca de experiências entre os participantes.

Assista:

segunda-feira, 28 de novembro de 2011

A educação, o céu e o inferno

Artigo publicado na coluna do jornalista Eduardo Costa

Nesta semana, vivi de perto dois momentos que mostram ângulos absolutamente contrastantes em relação à realidade e, principalmente, ao futuro do aprendizado no país.

Em São João do Manhuaçu, modesta cidade de dez mil habitantes no Vale do Rio Doce, resultados surpreendentes de um esforço conjunto de agentes políticos, professores, alunos e pais dentro de um projeto da Conspiração Mineira pela Educação – movimento que reúne pessoas bem sucedidas e dispostas a ajudar.

Lá, o crescimento de meninos e meninas é visível, emocionante e pode ser comprovado pelos números do IDEB – Índice de Desenvolvimento do Ensino Básico do Ministério da Educação que já ultrapassaram a média nacional e poderão alcançar ainda esse ano a meta do governo federal para 2015. Amanhã, você vai conferir essa revolução do bem nas páginas do Hoje em Dia.

Mas, como a vida não é feita só de flores, também nesta semana eu vi de perto o quanto o poder oprime, manipula, silencia, compra, humilha, massacra. Não discuto detalhes do projeto apresentado pelo governo porque ali estão minúcias que só os técnicos ousam interpretar.

No entanto, apenas um exemplo, dado pelo próprio governo, permite-me afirmar a completa falta de compromisso do Estado para com o futuro da educação. Diz o governo que uma professora, hoje com 27 anos de efetivo exercício em sala de aula, vai ganhar, em 2015, pouco mais de R$ 2.100,00. Ora, então, daqui a quatro anos, quando contar mais de 31 anos de profissão, uma professora vai ganhar menos do que se paga hoje a um agente de polícia recém concursado.

Não é que este ganha muito, ao contrário; o problema é que não dá para defender ou sequer aceitar essa remuneração para quem cuida do futuro do país. Isso sem falar que as lideranças dos professores foram enganadas para por fim aos 112 dias de greve, a comissão prometida nunca decidiu nada, a Assembléia mais uma vez se comportou como casa de ratificação do que quer o Palácio da Liberdade e nós, jornalistas, não gritamos a plenos pulmões a pergunta que não deixará nossa consciência em paz nas festas de fim de ano: será que existirá professor na sala de aula quando nossos netos vierem?

Ah, outra pergunta: será que, com o comportamento submisso e indecente de câmaras municipais, assembléias legislativas e congresso nacional, de trocar verbas e reeleição pelo que quer o dono da caneta, o chefe do executivo, a gente tem Democracia de verdade?

Folha desmonta marketing de Aécio na Folha


Começo a achar que o senador Aécio Neves não fez um bom negócio ao aceitar o convite para escrever às segundas-feiras na página 2 da Folha de S.Paulo. Por um lado, trata-se de um espaço nobre, de grande visibilidade, uma chance para Aécio se fazer ouvir em todo o país. Mas pode também se tornar uma armadilha.

No dia 5 de setembro, no artigo intitulado Inovação, Aécio escreveu:

“Um Steve Jobs não brota por geração espontânea. Ele floresce num caldo de cultura em que a educação é valorizada e o talento, reconhecido.”

“O mundo se dividirá cada vez mais entre os países que investem com seriedade em educação, pesquisa e tecnologia e os que não o fazem.”

Hoje, a mesma Folha traz a seguinte manchete: 17 Estados descumprem lei salarial de professor. Dentro do jornal, a matéria leva o título Minas, Bahia, Pará e Rio Grande do Sul estão totalmente fora de normas.

A Folha informa que, em Minas, Estado governado por Aécio por quase oito anos (2003-2010) e onde ele ainda dá as cartas, o piso salarial dos professores da rede estadual equivale a vergonhosos R$ 616, praticamente a metade do que manda a lei (R$ 1.187 por 40 horas semanais).

O piso salarial de Minas é o mais baixo do país, mesmo comparado com Estados bem menos aquinhoados, como Amazonas (R$ 1.338), Amapá (R$ 2.171), Acre (R$ 1.187), Sergipe (R$ 1.187) e Alagoas (R$ 1.187).

O marketing de Aécio na Folha foi desmontado pela própria Folha.