sábado, 4 de setembro de 2010

PSDB = PRIVATIZAÇÕES

O Conversa Afiada recebeu de amigo navegante mineiro o texto que serve de introdução ao livro “Os porões da privataria” de Amaury Ribeiro Jr., que será lançado em breve, em capítulos, na internet.

É um trabalho de dez anos de Amaury Ribeiro Jr, que começou quando ele era do Globo e se aprofundou com uma reportagem na IstoÉ sobre a CPI do Banestado.Não são documentos obtidos com espionagem – como quer fazer crer o PiG (*), na feroz defesa de Serra.É o resultado de um trabalho minucioso, em cima de documentos oficiais e de fé pública.Um dos documentos Amaury Ribeiro obteve depois de a Justiça lhe conceder “exceção da verdade”, num processo que Ricardo Sergio de Oliveira move contra ele. E perdeu.O processo onde se encontram muitos documentos foi emcaminhado à Justiça pelo notável tucano Antero Paes e Barros e pelo relator da CPI do Banestado, o petista José Mentor.

Amaury mostra, pela primeira vez, a prova concreta de como, quanto e onde Ricardo Sergio recebeu pela privatização.Num outro documento, aparece o ex-sócio de Serra e primo de Serra, Gregório Marin Preciado no ato de pagar mais de US$ 10 milhões a uma empresa de Ricardo Sergio.

As relações entre o genro de Serra e o banqueiro Daniel Dantas estão esmiuçadas de forma exaustiva nos documentos a que Amaury teve acesso. O escritório de lavagem de dinheiro Citco Building, nas Ilhas Virgens britânicas, um paraíso fiscal, abrigava a conta de todo o alto tucanato que participou da privataria.

Não foi a Dilma quem falou da empresa da filha do Serra com a irmã do Dantas. Foi o Conversa Afiada.Que dedica a essa assunto – Serra com Dantas – uma especial atenção.

Leia a introdução ao livro que aloprou o Serra:

Os porões da privataria

Quem recebeu e quem pagou propina. Quem enriqueceu na função pública. Quem usou o poder para jogar dinheiro público na ciranda da privataria. Quem obteve perdões escandalosos de bancos públicos. Quem assistiu os parentes movimentarem milhões em paraísos fiscais. Um livro do jornalista Amaury Ribeiro Jr., que trabalhou nas mais importantes redações do país, tornando-se um especialista na investigação de crimes de lavagem do dinheiro, vai descrever os porões da privatização da era FHC. Seus personagens pensaram ou pilotaram o processo de venda das empresas estatais. Ou se aproveitaram do processo. Ribeiro Jr. promete mostrar, além disso, como ter parentes ou amigos no alto tucanato ajudou a construir fortunas. Entre as figuras de destaque da narrativa estão o ex-tesoureiro de campanhas de José Serra e Fernando Henrique Cardoso, Ricardo Sérgio de Oliveira, o próprio Serra e três dos seus parentes: a filha Verônica Serra, o genro Alexandre Bourgeois e o primo Gregório Marin Preciado. Todos eles, afirma, tem o que explicar ao Brasil.

Ribeiro Jr. vai detalhar, por exemplo, as ligações perigosas de José Serra com seu clã. A começar por seu primo Gregório Marín Preciado, casado com a prima do ex-governador Vicência Talan Marín. Além de primos, os dois foram sócios. O “Espanhol”, como (Marin) é conhecido, precisa explicar onde obteve US$ 3,2 milhões para depositar em contas de uma empresa vinculada a Ricardo Sérgio de Oliveira, homem-forte do Banco do Brasil durante as privatizações dos anos 1990. E continuará relatando como funcionam as empresas offshores semeadas em paraísos fiscais do Caribe pela filha – e sócia — do ex-governador, Verônica Serra e por seu genro, Alexandre Bourgeois. Como os dois tiram vantagem das suas operações, como seu dinheiro ingressa no Brasil …

Atrás da máxima “Siga o dinheiro!”, Ribeiro Jr perseguiu o caminho de ida e volta dos valores movimentados por políticos e empresários entre o Brasil e os paraísos fiscais do Caribe, mais especificamente as Ilhas Virgens Britânicas, descoberta por Cristóvão Colombo em 1493 e por muitos brasileiros espertos depois disso. Nestas ilhas, uma empresa equivale a uma caixa postal, as contas bancárias ocultam o nome do titular e a população de pessoas jurídicas é maior do que a de pessoas de carne e osso. Não é por acaso que todo dinheiro de origem suspeita busca refúgio nos paraísos fiscais, onde também são purificados os recursos do narcotráfico, do contrabando, do tráfico de mulheres, do terrorismo e da corrupção.

A trajetória do empresário Gregório Marin Preciado, ex-sócio, doador de campanha e primo do candidato do PSDB à Presidência da República mescla uma atuação no Brasil e no exterior. Ex-integrante do conselho de administração do Banco do Estado de São Paulo (Banespa), então o banco público paulista – nomeado quando Serra era secretário de planejamento do governo estadual, Preciado obteve uma redução de sua dívida no Banco do Brasil de R$ 448 milhões (1) para irrisórios R$ 4,1 milhões. Na época, Ricardo Sérgio de Oliveira era diretor da área internacional do BB e o todo-poderoso articulador das privatizações sob FHC.

(Ricardo Sergio é aquele do “estamos no limite da irresponsabilidade. Se der m… “, o momento Péricles de Atenas do Governo do Farol – PHA)
Ricardo Sérgio também ajudaria o primo de Serra, representante da Iberdrola, da Espanha, a montar o consórcio Guaraniana. Sob influência do ex-tesoureiro de Serra e de FHC, mesmo sendo Preciado devedor milionário e relapso do BB, o banco também se juntaria ao Guaraniana para disputar e ganhar o leilão de três estatais do setor elétrico (2).

O que é mais inexplicável, segundo o autor, é que o primo de Serra, imerso em dívidas, tenha depositado US$ 3,2 milhões no exterior através da chamada conta Beacon Hill, no banco JP Morgan Chase, em Nova York. É o que revelam documentos inéditos obtidos dos registros da própria Beacon Hill em poder de Ribeiro Jr. E mais importante ainda é que a bolada tenha beneficiado a Franton Interprises. Coincidentemente, a mesma empresa que recebeu depósitos do ex-tesoureiro de Serra e de FHC, Ricardo Sérgio de Oliveira, de seu sócio Ronaldo de Souza e da empresa de ambos, a Consultatun. A Franton, segundo Ribeiro, pertence a Ricardo Sérgio.

A documentação da Beacon Hill levantada pelo repórter investigativo radiografa uma notável movimentação bancária nos Estados Unidos realizada pelo primo supostamente arruinado do ex-governador. Os comprovantes detalham que a dinheirama depositada pelo parente do candidato tucano à Presidência na Franton oscila de US$ 17 mil (3 de outubro de 2001) até US$ 375 mil (10 de outubro de 2002). Os lançamentos presentes na base de dados da Beacon Hill se referem a três anos. E indicam que Preciado lidou com enormes somas em dois anos eleitorais – 1998 e 2002 – e em outro pré-eleitoral – 2001. Seu período mais prolífico foi 2002, quando o primo disputou a presidência contra Lula. A soma depositada bateu em US$ 1,5 milhão.

O maior depósito do endividado primo de Serra na Beacon Hill, porém, ocorreu em 25 de setembro de 2001. Foi quando destinou à offshore Rigler o montante de US$ 404 mil. A Rigler, aberta no Uruguai, outro paraíso fiscal, pertenceria ao doleiro carioca Dario Messer, figurinha fácil desse universo de transações subterrâneas. Na operação Sexta-Feira 13, da Polícia Federal, desfechada no ano passado, o Ministério Público Federal apontou Messer como um dos autores do ilusionismo financeiro que movimentou, através de contas no exterior, US$ 20 milhões derivados de fraudes praticadas por três empresários em licitações do Ministério da Saúde.

O esquema Beacon Hill enredou vários famosos, entre eles o banqueiro Daniel Dantas. Investigada no Brasil e nos Estados Unidos, a Beacon Hill foi condenada pela justiça norte-americana, em 2004, por operar contra a lei.

Percorrendo os caminhos e descaminhos dos milhões extraídos do país para passear nos paraísos fiscais, Ribeiro Jr. constatou a prodigalidade com que o círculo mais íntimo dos cardeais tucanos abre empresas nestes édens financeiros sob as palmeiras e o sol do Caribe. Foi assim com Verônica Serra. Sócia do pai na ACP Análise da Conjuntura, firma que funcionava em São Paulo em imóvel de Gregório Preciado, Verônica começou instalando, na Flórida, a empresa Decidir.com.br, em sociedade com Verônica Dantas, irmã e sócia do banqueiro Daniel Dantas, que arrematou várias empresas nos leilões de privatização realizados na era FHC.

Financiada pelo banco Opportunity, de Dantas, a empresa possui capital de US$ 5 milhões. Logo se transfere com o nome Decidir International Limited para o escritório do Ctco Building, em Road Town, ilha de Tortola, nas Ilhas Virgens Britânicas. A Decidir do Caribe consegue trazer todo o ervanário para o Brasil ao comprar R$ 10 milhões em ações da Decidir do Brasil.com.br, que funciona no escritório da própria Verônica Serra, vice-presidente da empresa. Como se percebe, todas as empresas tem o mesmo nome. É o que Ribeiro Jr. apelida de “empresas-camaleão”. No jogo de gato e rato com quem estiver interessado em saber, de fato, o que as empresas representam e praticam é preciso apagar as pegadas. É uma das dissimulações mais corriqueiras detectada na investigação.

Não é outro o estratagema seguido pelo marido de Verônica, o empresário Alexandre Bourgeois. O genro de Serra abre a Iconexa Inc no mesmo escritório do Ctco Building, nas Ilhas Virgens Britânicas, que interna dinheiro no Brasil ao investir R$ 7,5 milhões em ações da Superbird. com.br que depois muda de nome para Iconexa S.A…Cria também a Vex capital no Ctco Building, enquanto Verônica passa a movimentar a Oltec Management no mesmo paraíso fiscal. “São empresas-ônibus”, na expressão de Ribeiro Jr., ou seja, levam dinheiro de um lado para o outro.

De modo geral, as offshores cumprem o papel de justificar perante o Banco Central e à Receita Federal a entrada de capital estrangeiro por meio da aquisição de cotas de outras empresas, geralmente de capital fechado, abertas no país. Muitas vezes, as offshores compram ações de empresas brasileiras em operações casadas na Bolsa de Valores. São frequentemente operações simuladas tendo como finalidade única internar dinheiro nas quais os procuradores dessas offshores acabam comprando ações de suas próprias empresas… Em outras ocasiões, a entrada de capital acontecia através de sucessivos aumentos de capital da empresa brasileira pela sócia cotista no Caribe, maneira de obter do BC a autorização de aporte do capital no Brasil. Um emprego alternativo das offshores é usá-las para adquirir imóveis no país.

Depois de manusear centenas de documentos, Ribeiro Jr. observa que Ricardo Sérgio, o pivô das privatizações — que articulou os consórcios usando o dinheiro do BB e do fundo de previdência dos funcionários do banco, a Previ, “no limite da irresponsabilidade” conforme foi gravado no famoso “Grampo do BNDES” — foi o pioneiro nas aventuras caribenhas entre o alto tucanato. Abriu a trilha rumo às offshores e as contas sigilosas da América Central ainda nos anos 1980. Fundou a offshore Andover, que depositaria dinheiro na Westchester, em São Paulo, que também lhe pertenceria…

Ribeiro Jr. promete outras revelações. Uma delas diz respeito a um dos maiores empresários brasileiros, suspeito de pagar propina durante o leilão das estatais, o que sempre desmentiu. Agora, porém, existe evidência, também obtida na conta Beacon Hill, do pagamento da US$ 410 mil por parte da empresa offshore Infinity Trading, pertencente ao empresário, à Franton Interprises, ligada a Ricardo Sérgio.

(1)A dívida de Preciado com o Banco do Brasil foi estimada em US$ 140 milhões, segundo declarou o próprio devedor. Esta quantia foi convertida em reais tendo-se como base a cotação cambial do período de aproximadamente R$ 3,2 por um dólar.
(2)As empresas arrematadas foram a Coelba, da Bahia, a Cosern, do Rio Grande do Norte, e a Celpe, de Pernambuco.



(*) PiG: Em nenhuma democracia séria do mundo, jornais conservadores, de baixa qualidade técnica e até sensacionalistas, e uma única rede de televisão têm a importância que têm no Brasil. Eles se transformaram num partido político – o PiG, Partido da Imprensa Golpista.



Fonte: Blog Conversa Afiada

sexta-feira, 3 de setembro de 2010

HÉLIO NA FRENTE

Pesquisa realizada pelo Instituto DataTempo/CP2, entre os dias 27 e 29 de agosto, mostra o candidato do PMDB, o senador Hélio Costa, na liderança da disputa pelo governo de Minas. Ele tem 40,89% das intenções de voto contra 35,32% de seu adversário mais próximo, o governador Antonio Anastasia (PSDB). O número de indecisos ainda é alto - 15,56% ainda não decidiram seu voto. A margem de erro do levantamento é de 2,16 pontos percentuais.

Nenhum dos outros candidatos ao governo de Minas alcançou 1% das intenções de voto. O melhor posicionado é a candidata do PSTU, Vanessa Portugal, que obtém 0,48% das intenções de voto.
Na comparação com a última pesquisa DataTempo/CP2, divulgada em 19 de agosto, Hélio Costa perdeu 3,95 pontos percentuais, passando de 44,84% das intenções de voto para 40,89%. Já Antonio Anastasia cresceu 13,09 pontos percentuais, saltando de 22,23% para 35,32% da preferência do eleitorado.

Segundo turno. A pesquisa DataTempo/CP2 também realizou a simulação de segundo turno entre Hélio Costa e Antonio Anastasia. Nessa situação, o peemedebista também vence a disputa. Ele tem 44,60% da preferência do eleitorado contra 37,46% do tucano.

As situações dos dois candidatos são semelhantes quando é analisada a possibilidade de voto. Dos entrevistados, 31,86% afirmam que a chance de votar em Anastasia é grande. Outros 23,32 % dizem que essa possibilidade é média. Para 16,26% dos pesquisados, não existe possibilidade de voto no tucano.

Quando a pergunta é feita em relação a Hélio, 30,61% dizem que a chance de votar nele é grande. Outros 28,39% afirmam que essa possibilidade é média. Para 18,89% dos interrogados, não existe essa possibilidade.

Dados
DataTempo/CP2. A pesquisa foi realizada de 27 a 29 de agosto e ouviu 2.062 pessoas. A margem de erro é de 2,16 pontos percentuais e o registro na Justiça eleitoral tem número 26.992/2010.

Empate na pesquisa espontânea
Na pesquisa espontânea, quando os nomes dos candidatos não são apresentados aos entrevistados, há um empate técnico, considerando a margem de erro de 2,16 pontos percentuais.
Antonio Anastasia tem, nesse quadro, 25,18% das intenções de voto e Hélio Costa registra 24,13% da preferência do eleitorado.
Tal como na pesquisa estimulada, o número de indecisos é grande - 34,08%. Os outros candidatos não alcançam 1% das intenções de voto no levantamento. (CK)

Intenção de voto
46,60% é o melhor resultado

de Hélio Costa e é verificado entre os que possuem até 4ª série
47,30% é o melhor resultado
de Antonio Anastasia e é verificado entre os que possuem curso superior

Mapa

Costa se sai melhor em regiões pobres

O melhor desempenho do candidato Hélio Costa na pesquisa DataTempo/CP2 é verificado no vales do Jequitinhonha e Mucuri, onde ele alcança 47,20% das intenções de voto. Ele também consegue bons resultados nas regiões Norte e Noroeste (46%). Essas são as regiões mais pobres do Estado.

Os piores desempenhos do peemedebista ocorrem nas regiões Oeste, Sudoeste e Sul, onde ele alcança 36,30% da preferência do eleitorado, e na parte Central do Estado, incluindo a região metropolitana de Belo Horizonte, com 37,80%.

Antonio Anastasia consegue melhor desempenho na região Central, onde o tucano tem 40,20% das intenções de voto, e no Oeste, Sudoeste e Sul do Estado. Na Zona da Mata, Anastasia tem baixo desempenho. (CK)



Jornal O Tempo 3/09/2010

TERRA PARA TODOS

Foi concorrida, ontem, 02, a abertura da AgriMinas – Feira da Agricultura Familiar de Minas Gerais. O Evento que já está na sua 5ª edição se consagra como um importante espaço para debate sobre programas governamentais de incentivo à agricultura familiar. O candidato Gilson Reis compareceu ao evento e alem de participar das palestras votou na campanha promovida pela CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil) contra grandes propriedades rurais. “O que acontece hoje é que o Governo Lula incentiva à agricultura familiar, somente o PRONAF (Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar) investiu uma ordem de R$ 78,8 Bilhões na agricultura familiar, sem falar de programas como Luz Para Todos e moradias, mas infelizmente as terras continuam concentradas nas mãos de poucos e isso precisa mudar”. O candidato lembrou que atualmente no Brasil, graças ao Governo Lula a agricultura familiar esta se desenvolvendo de forma sustentável. “Com a Dilma continuaremos a política do Lula de atrelar à agricultura familiar a dimensão espacial do desenvolvimento. Essa agricultura atualmente é responsável por 80% da ocupação (mão de obra) no campo inclusive abastecendo escolas públicas”, declarou Gilson. O candidato segue hoje à noite para Capelinha e Caratinga onde cumpre agenda no final de semana.


Campanha CNBB

Durante o evento o CNBB recolheu assinatura para a proposta do Plebiscito de iniciativa popular pelo Limite da Propriedade da Terra no Brasil em defesa da Reforma Agrária e da Soberania Territorial e Alimentar. No dia 07 de Setembro, quando é realizado também o “Grito dos Excluídos”, uma ato nacional terá a participação da CNBB e de movimentos sociais contra o “latifúndio intrinsecamente ilegítimo”, situação corriqueira no Brasil, onde há muita concentração de terras. A proposta do Plebiscito teve origem no Fórum Nacional pela Reforma Agrária e foi assumida como gesto concreto das Igrejas que realizaram a Campanha da Fraternidade Ecumênica 2010.


Agência Movimento

quinta-feira, 2 de setembro de 2010

Apoio em Ponte Nova


Com um público de cerca de 150 pessoas Gilson Reis lançou a candidatura na cidade de Ponte Nova, Zona da Mata Mineira, ontem, 01, no auditório da Facco - Faculdade de Ciências Contábeis de Ponte Nova. Lideres de movimentos sindicais como o Sindicato dos Bancários, Sind-ÚTE e sindicatos dos tecelões além da juventude e populares estavam entre os presentes. O lançamento foi permeado pelas reivindicações e necessidades do pontenovense. Foi lembrado o histórico da região que vem empobrecendo nos últimos anos por falta de políticas desenvolmentistas e investimentos no turismo, na educação e qualificação da população da zona da mata. “Minas Gerais precisa acompanhar o ciclo histórico que se iniciou com o governo Lula, precisamos crescer juntos e oferecer oportunidade de desenvolvimento a todos em Minas Gerais”, declarou Gilson durante discurso. O candidato também falou sobre as demandas de educação na região, onde falta a escola de tempo integral e ensino profissionalizante é algo almejado por jovens da região que atualmente precisam migrar para outras regiões em busca de formação qualificadas. “Não podemos nos contentar em apenas exportar cana de açúcar, a Zona da Mata já teve uma cultura mais forte e economia diversificada, precisamos resgatar isso através de propostas comprometidas com a região”, disse Gilson. Ao final do lançamento o candidato recebeu manifestações de apoio a comunidade.

Alvinópolis

Durante a manhã de ontem, o candidato também se reuniu com professores da cidade de Alvinópolis, centro-leste de Minas. Durante a reunião o assunto de grande repercussão foi à área da educação. Ao final uma resolução rendeu um importante passo democrático: a criação de uma comissão para fundação do PCdoB na cidade. Professores, juventudes e lideranças locais constituirão em Alvinópolis o maior partido representante do socialismo no Brasil. O lançamento será um ato articulados nos próximos dias.


Agência Movimento



quarta-feira, 1 de setembro de 2010

O PAI POLÍTICO

Desde da história do Brasil, nos primórdios do processo de socialização, de constituição de sociedades feudais brasileiras, as funções políticas e procriadoras se confundiam nas famílias colônias. O Estado era um agrupamento de famílias e os povos ligados a elas como se tivesse laços parentais. Hoje os tempos mudaram e a figura do pai também. Uma das primeiras mudanças apontadas pela sociologia clássica foi à urbanização do interior e a dispersão da família agrícola quando o pai patrão foi dispensado.

Porém na mordenidade, o pai patriarcal é um modelo vivo na mentalidade comum. Segundo o grande sociólogo Gilberto Freyre o pai de família patriarcal é caracterizado por um tripé de comportamentos: o provedor, o dominador e o agregador e os alicerces do seu poder são a monocultura, o latinfudio e a escravidão. Esse sujeito tirano era a base da família no passado e hoje sua figura quando reconhecida é ignorada tornando-se invisível dentro dos arranjos familiares modernos. Para os cientistas essa invisibilidade significa a rejeição ao personagem gerador de abusos e sofrimentos para as mulheres, filhos e agregados. Claro que a figura do pai é polêmica desde a antiguidade e em diversas obras literárias sempre foi retratada como problemática as relações dos pais com as mulheres e filhos.

"A família autoritária de outrora, triunfal ou melancólica, sucedeu a família mutilada de hoje, feita de feridas íntimas, de violências silenciosas, de lembranças recalcadas. Ao perder sua aureola de virtude, o pai que dominava, forneceu então uma imagem invertida de si mesmo, deixando transparecer um eu descentrado, autobiográfico, individualizado, cuja fratura a psicanálise tentará assumir durante o século XX". (ROUDINESCO, 2003, p 21).

O que observo é a caracterização da figura paterna tomada em discursos de certos políticos. Quem já leu Casa Grande e Senzala sabe que em sua obra Freyre elucida como a concepção patriarcal delineia a forma de ser do povo brasileiro. Para ele a figura do pai patriarcal encontrou força quando o declínio do Estado ficou evidente. Era esse pai que assistia a família e seus membros. Com a crise do pai patriarcal na família essa figura se transferiu para o Estado e é igualmente negada quando mostra a sua face controladora.

O que vejo atualmente no bombardeio de propagandas políticas é a procriação da figura de um pai. Gente hipócrita, que cerceia a liberdade e cujo governo se justifica através de uma rede de divulgações de suas benfeitorias e a invenção de mecanismos contábeis para esconder o fluxo de recursos. Ou seja, a cara de bonzinho, que luta pelos nossos direitos e que contrasta com sua trajetória na manutenção do poder, enquanto nele está, é totalmente criada e inserida repetidas vezes em canais de comunicação para lembrar o povo da figura paterna idealizada. Uma vez de volta ao poder se destituirão dessa imagem do pai dócil e provedor e continuarão com a tirania de sempre. Regulando, controlando, centralizando e destituindo as conquistas históricas de toda uma classe. Espero que todos possam enxergar para além do sorriso forçado das caricaturas desses personagens.

Gilson Reis