quinta-feira, 20 de maio de 2010

“Professor” Anastásia não recebe sindicalistas e greve continua


A greve dos professores da rede estadual de ensino iniciada no dia 8 de abril será mantida por tempo indeterminado. Essa foi a decisão das centenas de servidores que lotaram mais uma assembléia da greve.

O governador Antonio Augusto Anastásia (PSDB) declarou que não se reunirá com os representantes dos trabalhadores e que uma comissão designada por ele irá enviar uma proposta escrita para o sindicato da categoria.

Como presidente do sindicato dos professores Sinpro-MG acredito que a luta pela implementação do piso nacional do professor é uma conquista histórica e deve ser respeitada pelos governos estaduais. O governador Anastásia peca em duas coisas. A primeira é o desrespeito pelas lutas do povo e pelas instituições republicanas, o piso é uma lei sancionada, não é agitação. A segunda é pela falta de sensibilidade que demonstra esse governo que sequer reúne com os sindicalistas. Isso nos mostra o que é o governo tucano de Aécio/Anastásia e a quem esse governo serve. Precisamos imediatamente colocar no executivo e no legislativo pessoas comprometidas com esse instrumento fundamental para a educação que é o professor. Esse greve é vitoriosa, justa e necessária.

Os trabalhadores da educação voltam a se reunir em assembléia no dia 25 de maio, no pátio da Assembléia Legislativa.

Dilma sobe nas pesquisas


De maneira muito tímida a mídia brasileira se viu obrigada a noticiar o fato. Dilma Rousseff a candidata da continuidade do projeto de Lula está liderando as pesquisas eleitorais no Brasil.

Além de estar pontos a frente do candidato de oposição, o ex-ministro de FHC, José Serra a ministra ainda conta com uma particularidade a seu favor. Quase 20% da população diz em pesquisas espontâneas que votaria no candidato do Lula, ou seja, ainda existe milhares de brasileiros que não conhecem a candidata do presidente.

Para Gilson Reis, presidente da CTB mineira as pesquisas revelam o sentimento do povo brasileiro de que o projeto democrático e popular iniciado por Lula deve ser mantido. “Nestas eleições vamos comparar os perversos oito anos de FHC/PSDB e os oito anos de avanços construídos por Lula e por seu projeto, acredito que a ex-ministra irá subir ainda mais nas pesquisas, pois o Brasil passa por um momento extraordinário de sua política, isso vai refletir positivamente para a candidata do governo”apontou

30 anos da greve do ABC


11 de Maio de 1980 o Brasil ainda vivia sob as baionetas dos generais, porem a região do ABC paulista soprava vetos de mudança e protesto.

Naquele ano o movimento de operários e metalúrgicos do ABC realizou o maior ato de provocação ao regime militar, abrindo ao país a possibilidade do protesto, já tão esquecido e reprimido entre os brasileiros.

Para Gilson Reis, presidente da CTB mineira a greve de 80 foi o inicio de um ciclo político que culminou com a subida das forças progressistas ao governo central do país. “Ali foi o começo do fim do regime militar. A greve foi um movimento político vitorioso que uniu a categoria de uma maneira impressionante por 41 dias e lançou ao Brasil a maior liderança popular de sua história, o metalúrgico Lula. Nossa história política passa por essa greve” aponta o sindicalista.

quinta-feira, 8 de abril de 2010

La neves vá


Em 1983 Frederico Fellini lançava a mais importante obra cinematográfica da sua pródiga e bem sucedida carreira: La Nave Va.

O filme retrata o cenário fúnebre do início da primeira guerra mundial. Fellini reúne em um navio personagens bizarros e membros da alta elite italiana para uma viagem surreal. O funeral de uma cantora lírica é interrompido em pleno oceano para que o capitão da embarcação resgate uma comunidade sérvia que fugia da guerra. Os sérvios, cidadãos de segunda categoria, são jogados no porão do navio e assim a trama se desenvolve.

Na transferência de cargo do governador Aécio Neves para o seu vice, Antônio Anastasia, os arredores do Palácio da Liberdade pareciam a embarcação do filme de Fellini. Nas dependências do Palácio, encontrava-se a fina flor da corte mineira. Estavam lá embarcados cinco governadores mineiros: Francelino Pereira, Itamar Franco e Eduardo Azeredo, Aécio Neves e Antonio Anastasia. Os artistas globais Luciano Huck, Cristiane Torloni, Maitê Proença e até o galinho de Quintino, o jogador Zico. A duzentos metros de distância, populares espremidos na cerca de proteção observavam o cortejo da nobreza. De sorrisos ocos, lá estavam os pobres e desavisados mineiros a servir de sérvios para a fúnebre festa da elite mineira.

A posse do novo governador encerra um período de sete anos e três meses de profunda unidade das elites mineiras. Uma unidade construída em torno do governador tucano Aécio Neves e do seu ambicioso projeto presidencial. A tradicional política mineira, que ainda persiste nas várias regiões do estado, sempre foi marcada pela divisão entre dois blocos antagônicos vinculados à elite: os conservadores e os liberais. O primeiro grupo de concepção conservadora, rural, ligado inicialmente às fileiras da UDN e suas congêneres ao longo da história. Já o segundo grupo, de viés liberal, urbano, nasceu e consolidou-se com a urbanização do estado de Minas. Essa corrente política iniciou sua trajetória a partir do PSD. Esse grupo político também foi mudando de siglas, mas sempre mantendo suas raízes teóricas liberais. A aspiração das elites mineiras em retornar o comando da Presidência da República possibilitou esta inédita unidade.

Consolidada a fusão de conservadores e liberais, a segunda medida do Palácio da Liberdade foi dividir o setor oposicionista. Primeiro, aproximou-se de forma habilidosa do presidente Lula, utilizando-se de recursos federais para projetar as políticas públicas em Minas Gerais. No campo político, manteve permanente diálogo com o Palácio da Alvorada, permitindo ao não menos hábil presidente Lula usar e abusar da aproximação com o governador mineiro, chegando ao limite de construir em 2006 o Lulécio, em oposição ao candidato tucano Geraldo Alckmin.

No Estado não foi diferente. O governador Aécio Neves administrou com ampla maioria na Assembléia Legislativa, chegando a atrair em vários momentos a base parlamentar vinculada ao Partido dos Trabalhadores para votações de emendas constitucionais e projetos de interesse do governo. O PMDB dividido e sem grandes lideranças foi uma presa fácil para o Palácio da Liberdade. Porém, foi na eleição municipal da capital mineira que Aécio Neves demonstrou todo o seu conhecimento, adquirido através da convivência com o avô Tancredo Neves: a arte de manter-se neutro sem sê-lo. No processo sucessório de Belo Horizonte, lançou um candidato pelo PSB, dividiu o PT através de um acordo com o então prefeito Pimentel e conquistou depois de dezesseis anos a prefeitura da capital mineira.

No campo da economia, Aécio e Anastasia desenvolveram e consolidaram o choque de gestão. Trata-se do projeto neoliberal, que é a marca do governo de Minas, mesmo com a falência do neoliberalismo em escala mundial, principalmente a partir da crise internacional do ano passado. No entanto, o choque de gestão cantado em verso e prosa pelos quatro cantos de Minas não passa de uma gestão fiscal do estado que beneficia amplamente o setor privado, em detrimento do setor público. Minas Gerais foi, ao longo dos últimos anos, um laboratório de destruição das políticas públicas, a exemplo da saúde, educação, segurança e previdência, entre outras. Nos sete anos e três meses de governo, milhões de reais foram retirados das políticas públicas e repassados para a iniciativa privada, seja através da isenção fiscal, seja por meio de obras faraônicas, a exemplo do Centro Administrativo, que custou aos cofres do estado dois bilhões de reais. A inversão de prioridades e o endividamento do estado, a destruição do Ipsemg, a focalização da educação, a centralização da saúde e o aumento da criminalidade são apenas alguns dos resultados da fracassada política econômica.

No âmbito das relações de trabalho, a atitude foi ainda mais perversa. Durante todo o governo, a relação com os servidores foi amplamente desrespeitosa. A permanente precarização nas relações de trabalho em todas as áreas do estado culminou com a prática criminosa da terceirização realizada pela MGS.

A empresa foi criada pelo estado para contratar trabalhadores de forma precária, com o objetivo de diminuir o custeio da máquina e conseqüentemente a qualidade do serviço público. A ausência de concursos públicos para ingresso na carreira de estado, o achatamento salarial, a emenda 100, que criou uma distorção inconstitucional na carreira pública, a negativa do governo em aplicar o piso nacional dos trabalhadores em educação são apenas alguns dos exemplos da política desenvolvida pelo governo Aécio/Anastasia.

Para cumprir essa plataforma política, o governo mineiro praticou duas estratégias complementares. A primeira e mais refinada foi a cooptação dos movimentos sociais e sindicais. Ao longo de todo o período, dirigentes sindicais e sociais passaram a cooperar com o governo, abdicando das bandeiras históricas pela qualidade dos serviços públicos, controlando a mobilização e a luta dos trabalhadores. A segunda estratégia foi criminalizar os movimentos sociais e sindicais que lutavam e enfrentavam a política neoliberal e o choque de gestão do Palácio da Liberdade. O resultado foi uma permanente ação de repressão das forças policiais contra os trabalhadores urbanos e rurais.

Na área da comunicação e informação, o governo Aécio/Anastasia construiu um “bunker” jamais visto em toda a história política de Minas. O governo, a partir de um núcleo operacional de comunicação, constituído no Palácio da Liberdade e coordenado pela sua irmã Andréa Neves, controlou ao longo dos anos todos os meios de comunicação de Minas, do maior jornal à menor rádio e jornal do interior do estado. O controle da mídia foi cotidiano e permanente. Alguns jornalistas que tentaram romper o cerco do governador foram imediatamente punidos, demitidos ou mesmo “varridos” dos meios de comunicação do estado. Ao longo de sete anos, a população de Minas Gerais foi impedida de ser informada, a máxima da comunicação fascista foi expressão de um tempo com profunda ditadura midiática. O que importa ao governo Aécio/Anastasia é a propaganda oficial, com gastos extraordinários, para utilizar a mesma prática fascista de Hitler, pela qual “uma mentira contada mil vezes se transforma em verdade”.

Todavia, o que se sobressai com mais evidencia nesses sete anos e três meses de governo é o projeto de desenvolvimento proposto pela dupla Aécio/Anastasia. A verdadeira situação das condições políticas e econômicas veio à tona no período da crise internacional, ocorrida no ano de 2009. Minas Gerais, mesmo ocupando o segundo PIB do país, é o décimo terceiro em distribuição de renda. Mais de sessenta por cento da população recebe até um salário mínimo. O estado, apesar de rico, é um dos maiores concentradores de renda e riqueza do país. Em Minas Gerais, dos dez principais produtos de exportação, nove estão relacionados a produtos primários: agrícolas ou minerais. A única exceção é a exportação de veículos produzidos pelo setor automotivo, constituído no estado no final dos anos setenta. O choque de gestão neste contexto é uma farsa, não alterou um milímetro sequer as condições sociais e econômicas da população. O estado está paralisado, Minas Gerais não possui hoje um único projeto de desenvolvimento que avance na área de ciência e tecnologia.

É navegando nesse mar aparentemente tranquilo, porém revolto, que Minas e os mineiros se encontram à deriva. Para as nossas condições de povo da montanha, longe do mar, que nossa situação se torna ainda mais emblemática. Espero que a nave que trouxe o governador Aécio Neves não volte a atracar por aqui. Que Minas e os mineiros, agora livres do governo Aécio Neves, compreendam com mais clareza a farsa que foi esse período histórico, e possam refletir com mais profundidade as reais aspirações políticas, econômicas e sociais que, aliás, sempre foi a nossa maior virtude. Fellini trouxe para a ficção os dilemas de um tempo de guerra. Nós, mineiros, precisamos trazer para a realidade os dilemas de um tempo de paz, que exige avanços sociais e democráticos. La Neves Vá! E leve consigo Anastas!

quinta-feira, 11 de março de 2010

Agora é Minas

O debate em torno da sucessão presidencial que ocorrerá no último trimestre ganhará a cada dia contornos e discussões imponderáveis. O que chama a atenção dos eleitores nestes últimos dias é a disputa travada entre dois importantes estados da Federação: Minas e São Paulo. Os dois estados disputam historicamente espaço de poder na República.

Esta disputa deverá aumentar a cada dia, até decidir quem será alçado à condição de representante máximo da Federação brasileira, na condução do país nos próximos quatro anos.

É do conhecimento de todo o país a maneira truculenta como a elite paulista e políticos desta elite tratam o resto do povo brasileiro. Olham os demais estados da federação com discriminação e soberba. A burguesia paulista situada na avenida de mesmo nome, pensa que o Brasil, os brasileiros, os estados são reféns do seu poderio econômico e financeiro. Pensam que somente existirá país se um deles estiver no comando. É importante lembrar que nos últimos anos São Paulo nos impôs Fernando Henrique Cardoso, José Serra, Geraldo Alckmin e neste ano, novamente José Serra.

Todavia, a história brasileira é repleta de exemplos em que os mineiros deram lições políticas profundas e marcantes ao liberal conservadorismo paulista.

Entre 1707 a 1709, uma articulação de mineiros, portugueses e índios - os Emboabas, também conhecidos como os pássaros de pés emplumados -- impuseram uma grande derrota aos bandeirantes nas Montanhas da Capitania de São Vicente, hoje Minas Gerais. Desde a corrida do ouro, os paulistas queriam dominar as riquezas do povo mineiro. A guerra entre os forasteiros e os mineiros durou dois anos. A última batalha, a derradeira, recebeu o nome Capão da traição. A operação foi comandada pelo capitão Bento, que decretou a morte de 300 paulistas capturados em uma batalha. Com esse episódio, e a expulsão dos bandeirantes, o que restou aos paulistas foi o sertão de Goiás e Mato Grosso.

No século XX, foram muitas as vezes em que mineiros e paulistas estiveram em lados opostos, principalmente quando a soberba crescia pelas bandas do rio Tietê. Durante quarenta anos, mineiros e paulistas estiveram à frente do governo da República. A política do café com leite percorrreu toda a república velha. Hermes da Fonseca e Epitácio Pessoa foram as duas únicas exceções desse processo, no entanto, sob a custódia e tutela do Estado de Minas e São Paulo. Esse acordo político rompeu-se quando os paulistas tentaram impor a Minas Gerais dois governos seguidos vinculados ao Estado de São Paulo: Washington Luís e Júlio Prestes.

Rapidamente, Minas Gerais articulou com o gaúcho Getúlio Vargas e destituiu o presidente paulista Júlio Prestes.Em 1932, novamente Minas Gerais deu o rumo à política nacional. Com a posse de Getúlio Vargas, o estado mineiro foi o único do país que não teve interventor. Com a aproximação dos mineiros com o governo positivista de Getúlio Vargas, a elite paulista ficou isolada e sofreu as conseqüências da crise de 29 culminando, assim, na guerra de 9 de julho contra o governo central. O movimento ficou conhecido pela história como revolução constitucionalista de 32. Diante desse quadro, o estado de Minas unificou forças com o Rio Grande do Sul e derrotou novamente a elite paulista. O MMDC virou símbolo de um capítulo humilhante para a elite de São Paulo.

O confronto entre mineiros e paulistas se repetiu em outro momento de grande relevância para a história do país. Após vinte anos de ditadura militar, o povo brasileiro foi às ruas e exigiu as “Diretas já!”. Entre um comício e outro que mobilizou centenas de milhares de pessoas, setores do Exército e da elite paulistana articulou uma eleição pelo famigerado colégio eleitoral. No entanto, ao ser definido que a transição da ditadura à democracia se daria pela via indireta, surgiu novamente um grande mineiro, Tancredo de Almeida Neves em oposição ao liberal conservador Paulo Maluf.

Poderia trazer para as páginas deste artigo outros exemplos envolvendo a luta política que travou disputas históricas entre mineiros e paulistas. Contudo, os exemplos servem apenas para construir uma convicção inabalável da necessidade de manter o país longe da prepotência e arrogância da elite paulistana. É necessário afirmar que o Brasil governado nos últimos sete anos pelo pernambucano Luiz Inácio Lula da Silva precisa continuar no leito do desenvolvimento, no leito do São Francisco, o rio da integração nacional. Para manter esse rumo histórico, novamente Minas Gerais foi convocada para oferecer ao país uma candidatura capaz de manter e avançar a atual política desenvolvida no Brasil.

Para tanto, é preciso reafirmar o papel de Minas Gerais e dos mineiros em momentos de grandes embates na vida nacional. É preciso reafirmar a aliança de Minas com o Brasil. Brasil de todos os sotaques, de todos os sons, de todas as cores, de todos os sonhos. Derrotar a elite tucana paulista é uma necessidade histórica. É nesse momento de decisão que precisamos dizer em alto e bom som. Para Presidente do Brasil, a mineira Dilma Rousseff!